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Louvor a Deus por um Sonho



 
Deus Santo,
Queria louvar-vos pelo sonho que tive esta noite, sonho que me deixou feliz!
Entrei no sonho pela mediação dos cantos matinais
das aves que iniciavam alegremente um novo dia.

Olhei e vi que o sol começava a irromper.
A luz brilhante daquela manhã transportou-me para o início da Criação.

Nesse momento recordei a Palavra Criadora do Livro do Génesis:
“Deus disse: Faça-se a luz. E a luz surgiu.
Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas” (Gn 1, 3-4).

Compreendi que o aparecimento da luz no início de um novo dia
é como que uma nova Criação:
As plantas tornam-se verdes e o céu ganha de novo o seu azul.
Gradualmente as aves iniciam os seus cantos matinais
e, dentro de pouco, começam a surgir as crianças a saltitar.

Naquela manhã de sabor divino, o meu coração estava predisposto
para acolher o Deus que inicia a génese do Universo
com o clarão majestoso da explosão que deu origem ao Universo.

Saboreei, então, a dinâmica criadora de Deus que é tão real hoje,
como foi ontem ou no começo da criação.
Compreendi que Deus não é um mágico que fez aparecer as coisas,
retirando-se logo em seguida.

Naquela manhã compreendi
que os ritmos e a harmonia presentes na marcha da Criação
têm a sua origem nas relações amorosas da Santíssima Trindade.

Depois saboreei a gratuidade de Deus ao fazer avançar o processo criador.
Perante esta visão majestosa, o meu coração dilatou-se para acolher as bênçãos
que o Criador começava a difundir pela vastidão do Universo.

E foi assim que me dei conta de que a felicidade está ao nosso alcance,
porque vós, Deus Santo, habitais em nós.
Exultei de alegria perante a grandeza e a generosidade
de um Deus sempre disponível para comunicar connosco.

Louvado sejais, Senhor Deus por esta possibilidade de sermos felizes todos os dias,
pois não só estais em nós como sois um Deus para nós!

Senti no meu íntimo como que uma Água Viva, forte, mas amável,
a jorrar dentro do meu peito.
Compreendi que era a Salvação a circular e a habitar no meu coração.

Senhor Deus, a luz daquela manhã foi como que uma réplica
do teu gesto de amor no primeiro dia da Criação.

Depois, Jesus Ressuscitado disse: podeis marcar encontro com a fonte da Vida
e do Amor sem ter de vos deslocar para longe.

Exultei de alegria, pois compreendi
que a Criação estava a acontecer no mais íntimo do meu ser.
Saboreei tudo isto e cantei um cântico nunca antes cantado,
pois sentia emergir em mim a Vida Nova.

Já quase a terminar o sonho, vi que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sorriram para mim.
Depois, Deus Pai, disse-me:
Vai, e não te esqueças dos teus irmãos!










17 de Julho de 2011: um Ano.

Em Comunhão Convosco. Calmeiro Matias

Espírito Santo e a Humildade de Coração


Espírito Santo,
Jesus convidou-nos a imitar-te, construindo um coração idêntico ao teu:
“Aprendeu de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).
Dá-nos a força para sabermos adoptar as atitudes correctas e necessárias,
a fim de sabermos moldar um coração de homens novos.

Não podemos moldar um coração de homens novos s
em cultivarmos a humildade, assumindo as nossas limitações e os nossos erros.
Na verdade, os homens de coração novo
não estão sempre a culpar os outros das suas culpas, insatisfações e fracassos.
É um excelente sinal de humildade a pessoa saber aceitar as próprias limitações
e procurar realizar-se com os seus talentos reais.

Ser humilde é ser verdadeiro em relação a si e aos outros.
É também reconhecer que uma pessoa, para se realizar, precisa dos outros,
pois a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

Para moldar um coração humilde,
a pessoa deve aprender a escutar o irmão e aceitá-lo assim como ele é.
As pessoas demasiado enredadas em si não conseguem escutar os outros.
Eis a razão pela qual não são capazes de sintonizar e comungar com os outros.

A pessoa humilde reconhece o seu pecado.
A pessoa de coração novo procura não julgar os outros.
Jesus disse que o coração é a fonte da qual emergem as boas e as más decisões.
A pessoa que procura ser amável e serena nas relações com os irmãos
já está a viver a bênção prometida aos mansos, os quais possuirão a terra,
como diz Jesus no evangelho de São Mateus (Mt 5, 5).

A amabilidade desmonta as agressividades
com que os outros pretendem muitas vezes agredir-nos.
Ter a gentileza de dar a primazia é uma atitude
que não passa despercebida dos outros
e ajuda-nos a moldar um coração atento e fraterno.

A pessoa humilde sabe reconhecer os momentos oportunos para falar
e as melhores ocasiões para escutar é sinal de sabedoria.
É um excelente sinal de amor fraterno saber evitar argumentos inúteis
que só servem para exaltar os ânimos.

É um excelente sinal de humildade saber reconhecer quando o outro tem razão.
O alicerce da humildade é a sabedoria que capacita a pessoa
para se analisar com critérios de verdade, interagir.
A pessoa humilde confia em Deus,
fazendo dele o rochedo sólido para edificarmos a nossa casa.

A pessoa humilde treina-se na arte de facilitar a realização dos outros,
não se esquecendo de que o importante é aceitá-los por eles serem o que são
e não por fazerem o que nós queremos.

Nos seus diálogos, a pessoa humilde procura comunicar sempre
numa linha de verdade e autenticidade.
No trato com os irmãos não está sempre a olhar só para os seus interesses,
tentando sobrepor-se aos outros.
 
A pessoa humilde recorda-se de que os outros são um dom de Deus,
pois são mediações para a ela se poder realizar.
Por outras palavras, a pessoa humilde tem consciência de precisar dos outros,
pois sabe que ninguém pode ser feliz sozinho.
Isto torna-se ainda mais claro à luz da fé,
pois a Palavra de Deus diz-nos
que apenas com os outros podemos formar a Família de Deus.

A pessoa humilde tem consciência de que ninguém é bom em tudo
e que nenhuma pessoa é a medida dos outros.
A pessoa humilde é agradecida, sobretudo quando sente
que os outros estão a ser atentos e respeitadores da sua originalidade e diferenças.

De facto, a pessoa que tenta controlar e manipular os outros
nunca conseguirá ter um coração de homem novo,
pois está a impedir que os outros possam emergir
como pessoas livres, conscientes e responsáveis.

As pessoas humildes procuram pôr o amor e a fraternidade em primeiro plano
e por isso são uma mediação privilegiada do amor de Deus para os irmãos.
A pessoa humilde tenta amar o outro, apesar dos seus defeitos,
impedindo assim que ele seja marginalizado apesar das suas imperfeições.

A pessoa humilde tem a capacidade de se alegrar
com os sucessos dos outros como se fossem seus.
A pessoa humilde nunca se afasta do outro
pelo facto de ele ter sofrido revezes e fracassos.

A pessoa humilde não alimenta ressentimentos
ou planos de vingança no seu coração.
A sabedoria que serve de alicerce à humildade é um dom do Espírito Santo,
o grande arquitecto do Homem de Coração Novo.
A pessoa humilde é disponível e procura alicerçar 
as suas atitudes e opções no pilar da gratuidade.

Espírito Santo,
São Paulo diz que tu és o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).
Ajuda-nos, Espírito de Amor, a moldar em nós
um coração manso e humilde como o de Jesus.

Com o teu jeito maternal de amar faz
que as nossas atitudes sejam geradoras de paz e harmonia,
afim de os nossos corações se configurem com o coração de Jesus.

 
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

O Bem e o Mal na História Humana



Deus Santo,
Obrigado pelo facto de sermos pessoas. 
O animal não é nem pode chegar a ser pessoa,
isto é, um ser com uma interioridade espiritual livre, 
consciente, responsável e capaz de amar.

Aristóteles definiu o Homem como um animal racional. 
Esta definição de Aristóteles chegou até ao século vinte,
mas hoje sentimos que está totalmente inadequada.
Na verdade, não basta acrescentar um adjectivo ao termo animal 
para dizer a totalidade e a verdade do Homem.

Com efeito, a diferença que existe entre o Homem e o animal
não é apenas de grau, mas implica um salto de qualidade.
É verdade que o Homem surge na marcha da vida por via evolutiva, a partir do animal.
Mas o ser humano só se torna pessoa através de um salto qualitativo.

Com efeito, a evolução chegou ao limiar da hominização, 
isto é, à estrutura natural de Homem, condição para a marcha histórica a humanização.
A hominização representa uma complexidade única no conjunto dos seres vivos, 
mas só por si não entra na dinâmica da humanização cuja lei é: 

“Emergência pessoal mediante relações de amor 
e convergência para a comunhão humana universal”.

A humanização não pode acontecer sem relações 
com a qualidade e a densidade do amor.

O animal ficou dominado pela ditadura dos instintos, 
isto é, nasce determinado, sem qualquer possibilidade
de equacionar as respostas aos estímulos.
O ser humano, pelo contrário, é capaz de estar cheio de fome, 
ter um bom manjar diante de si e entrar em greve de fome.

O animal não precisa de sentidos para viver. 
O ser humano, pelo contrário, não pode viver sem sentidos, 
pois entra em crise e pode chegar ao suicídio.
Pelo facto de ser uma pessoa em construção, 
o ser humano sente necessidade de fazer projectos para se realizar e ser feliz.

O animal gosta de brincar, sobretudo enquanto é jovem, 
mas não é capaz de celebrar a vida nem sonhar com um futuro diferente.
O animal nunca se faz perguntas. A pessoa humana, pelo contrário, 
sente uma fome enorme de criar sentidos para viver.

O ser humano tem consciência da própria morte 
e, apesar disso, não entra em greve perante a vida.
O animal não tem consciência da sua morte 
e, por isso, não se sente estimulado a criar sentidos para a viver.

A pessoa humana é capaz de chegar à conclusão 
de que o amor é a grande razão que vale para viver e também para morrer.
De facto, ninguém diz que uma pessoa que morreu 
para salvara a vida de outrem cometeu um suicídio.
Pelo contrário, normalmente dizemos que essa pessoa
levou o amor até à sua densidade máxima: dar a vida pelos que ama.

O ser humano é capaz de se elevar acima 
da satisfação imediata das necessidades, tornando-se criador.
Como ser criador, a pessoa humana é capaz de fazer surgir o novo,
dando origem às ciências, às técnicas, às artes
ou a atitudes e gestos maravilhosos de amor.

Por não estar dominado pelo mundo dos instintos,
o ser humano tem o livre arbítrio, capacidade psíquica de optar pelo bem ou pelo mal.
O livre arbítrio não é a liberdade, mas a possibilidade de uma pessoa se tornar livre.

De facto, a liberdade é a capacidade de a pessoa
se relacionar em dinâmica de amor com os outros
e interagir de modo criador com as coisas e os acontecimentos.

Isto quer dizer que o ser humano não ficou enredado
no círculo das respostas instintivas aos estímulos.
É por esta razão que a pessoa humana transcende
o nível da simples satisfação das necessidades biológicas,
dando um salto de qualidade, tornando-se um ser criador de cultura.

Mas os seres humanos também são capazes de potenciar enormemente
as possibilidades de fazer acontecer a morte e a destruição.

Somos capazes de fazer guerras monstruosas e criar máquinas diabólicas para matar.
Somos capazes de oprimir e explorar os outros para amontoar riquezas
desnecessárias, permitindo que os outros morram à fome.

Somos capazes de raptar e matar crianças
e conceber instrumentos monstruosos de tortura.
Somos capazes de destruir a natureza movidos
por interesses mesquinhos e sem objectivos humanizantes.

Mas também somos capazes de criar música, poesia
e antecipar um futuro cheio de gestos de ternura e amor.

Somos capazes de inventar máquinas brutais para fazer guerras criminosas.
Somos capazes de pilhar e destruir pessoas inocentes.

Mas também somos capazes de idealizar e criar
planos de solidariedade e fraternidade universal.

Espírito Santo,
Tu que habitas em nós e nos inspiras atitudes e actos humanizantes
ensina-nos a arte de nos criarmos como pessoas livres,
afim de fazermos da nossa terra uma morada de paz e comunhão fraterna.
Dá-nos a sabedoria necessária para evitarmos a destruição total da Humanidade.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A Arte de Cultivar o Amor


Deus Santo,
Vós sois amor e chamais-nos a alimentar o amor,
a fim de vos podermos conhecer melhor (1 Jo 4, 7-8).

No ser humano, o amor não é uma realidade espontânea,
pois não nascemos capacitados para começar logo  a amar.
Na verdade precisamos de ser amados para ficarmos capacitados para amar.
Na verdade, é o amor dos outros que nos capacita
para Amar e comungar com Deus e os irmãos.

A lei do amor é esta: ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado
e o mal amado fica a amar mal.
O amor é uma dinâmica de bem-querer
que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

Com efeito, amar é eleger o outro como alvo do nosso bem-querer,
aceitá-lo assim como é e agir de modo a facilitar a sua realização.

Senhor Jesus,
Tu deixaste-nos o amor como o teu único mandamento,
dando-nos a garantia de que é pelo nosso jeito de amar
que nós seremos reconhecidos como teus discípulos:
“Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Todos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

Ajuda-nos,  Espírito Santo, a cultivar a arte de alimentar o amor,
a qual implica uma série de atitudes livres e conscientes:

*Amar implica estar presente nas horas difíceis,
pois o amor edifica na cooperação e tende sempre para a comunhão.

*Amar é ajudar o outro a gostar de si, valorizando as suas realizações e empenhamentos, mesmo quando estes  não correspondam aos nossos interesses.

*Amar é ajudar o outro a superar a solidão e ajudá-lo
a suportar os fardos com que a vida, por vezes, nos carrega.

*Amar é facilitar o amadurecimento do outro, dando-lhe oportunidades
para que se realize com pessoa livre, consciente e responsável.

*Quem ama não substitui, mas ajuda sem se sobrepor.
O amor ajuda a pessoa a compreender que é melhor dar do que receber.

*Amar é ajudar o outro a descobrir sentidos para viver de modo empenhado e feliz.

*Amar é ser capaz de ficar calado quando se está magoado,
esperando a oportunidade certa para dialogar com serenidade.

*Amar é acreditar no outro e não pretender
que a minha opinião é a única que vale.

*Amar é saber calar-se quando sentirmos
que a nossa conversa está a cansar o outro.

*Amar implica reconhecer as qualidades do outro
e não girar apenas em volta dos seus defeitos.

*Amar é ser capaz de partilhar não só o que tenho,
mas também o que sei e, sobretudo o que sou.

*Amar é entender que a disponibilidade para escutar, acolher e aceitar
as diferenças do outro vale mais do que dar muitos presentes.

*Ama mais e melhor quem dá o primeiro passo no sentido da reconciliação.

*Amar é estar atento e verificar se o outro está precisando de mim.
Não basta pensar: “quando quiser que venha ter comigo”.

*Ama mais quem se antecipa, a fim de ser dom para o outro.
Jesus levou o amor até à sua expressão máxima: “Dar a vida pelos amigos”.

*O nosso amor será tanto mais perfeito quanto mais nos aproximarmos desta meta.

*O amor modela o nosso coração para a comunhão e capacita-nos
para sabermos edificar a nossa casa sobre a rocha firme.

*O amor é a veste indispensável para podermos participar no banquete do Reino de Deus.

*O amor é uma dinâmica de bem-querer
que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão.

O amor acontece sempre como dinâmica que gera liberdade e criatividade.

*O amor modela e capacita o coração para o dom e a gratuidade.

*O amor tenta sempre aceitar os defeitos do outro,
apesar disto exigir renúncia e sacrifício.

*Sublinha as qualidades do outro e congratula-se com os seus sucessos.

*O amor não está sempre a exigir disponibilidade da parte dos outros,
mas procura estar disponível quando estes precisam de si.

*Quando dá uma opinião ou aconselha alguém, a pessoa que ama
procura comunicar sempre o melhor da sua experiência e do seu saber.

*A pessoa que ama rejubila com os sucessos do outro
como se de sucessos próprios se tratasse.

*A pessoa egoísta, pelo contrário, tende sempre a encarar o sucesso do outro
como um mal para si.

*O jeito de se dar da pessoa que ama é discreto, ao ponto de o outro
nem se aperceber do sacrifício que, está a ser feito em seu favor.

*A pessoa que ama não se afasta do outro por causa dos seus fracassos.

*O amor capacita a pessoa que ama para uma doação
cada vez mais plena e gratuita.

*Pelo modo gratuito e atento de se dar, a pessoa que ama é sempre a primeira
a ser recordada nos momentos de sofrimento e dificuldades.

*A pessoa que ama evita magoar, mas não deixa de dizer a verdade
pelo simples facto de que o outro pode não gostar.

*São Paulo menciona algumas das principais qualidades do amor;
eis o que ele diz:

“O amor é paciente e prestável.
O amor não é invejoso, nem é arrogante ou orgulhoso.
O amor não procura o seu próprio interesse
e nada faz de inconveniente.

O amor não guarda ressentimento, nem se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
O amor tudo desculpa. Acredita sempre. Tudo suporta e tudo espera.
O Amor jamais passará” (1 Cor 4-8).

Glória a Vós, Trindade Santa, pois sonhaste-nos
para a festa do amor que é a calda da Vida Eterna.
Aleluia!




Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

Afinal, Vós não vos cansais de nós!

Pescador em Rawa Pening, Indonésia



Senhor Deus,
A Criação está cheia de vestígios das perfeições divinas.
Podemos dizer que todas as perfeições existentes nos seres criados
existem em grau de perfeição infinita no criador.

Deste modo, quando contemplamos as perfeições da Criação
podemos elevar-nos à contemplação do Criador.
A vossa Palavra completa este conjunto de possibilidades de Vos conhecermos,
Deus Santo, nas vossas perfeições infinitas.

A nossa fé diz-nos que Vós sois infinitamente perfeito,
tanto nas qualidades do Pai, como do Filho e do Espírito Santo.
Mas a nossa fé também nos assegura
que apesar de serdes uma comunhão de três pessoas, sois um único Deus.
Na verdade, o Uno, em Deus, é a comunhão. As pessoas são o plural.

Apesar de ser um só Deus, a Divindade não é um Eu,
mas um Nós, pois é uma comunhão orgânica.
É esta a razão pela qual, ao falarmos das perfeições divinas,
tanto podemos falar das perfeições próprias de cada uma das pessoas,
como das perfeições da Divindade enquanto Deus único.

A nossa fé diz-nos que a maior parte das perfeições em Deus
são comuns às três pessoas divinas.
Isto é verdade para a grandeza infinita, a eternidade,
o conhecimento perfeito de todas as coisas, a presença a todo o Universo,
a capacidade infinita de amar e tantas outras perfeições.

A Vossa Palavra diz-nos que as pessoas divinas não têm limitações ou imperfeições.
As pessoas humanas, pelo contrário, têm limitações,
tanto a nível corporal, como psíquico ou moral.

Uma das perfeições divinas que se nos impõem logo à partida
é o facto de as pessoas divinas serem eternas.
Nunca houve um tempo em que o Pai, o Filho ou o Espírito Santo não existissem.
É verdade que as pessoas humanas,
pelo facto de possuírem uma dimensão espiritual, são imortais.
Mas ao contrário das pessoas divinas não existem desde sempre.

As pessoas divinas são infinitamente perfeitas.
Não podem mudar para melhor, pois são sempre o melhor possível.
As pessoas humanas, pelo contrário, são seres em construção
e por isso estão em processo histórico de aperfeiçoamento.

A natureza divina é profundamente dinâmica,
pois Deus é emergência permanente de três pessoas infinitamente perfeitas
e em total convergência de comunhão.

Isto quer dizer que Vós, Deus Santo,
sois criador desde toda a eternidade,
pois a natureza divina é criatividade permanente.

Podemos dizer que as relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo nunca se repetem.
Quando dizemos que Deus é imutável,
queremos dizer que não muda neste seu jeito de ser de modo sempre novo.

A Divindade emerge como amor paternal na primeira Pessoa da Santíssima Trindade
e como amor filial na segunda.
Emerge ainda como amor maternal na terceira pessoa da Santíssima Trindade.
O Espírito Santo é a ternura maternal de Deus.

O conhecimento de Deus é total e perfeito,
pois todas as coisas foram criadas a partir do diálogo amoroso da Santíssima Trindade.

Outra qualidade que reconhecemos em Deus pela fé
é o seu modo de estar presente a todos os lugares, apesar de não caber em nenhum.
Seja qual for o lugar em que nos encontremos
podemos dizer com toda a verdade: “Deus está aqui”.

De facto, Vós sois, Deus Santo, a realidade que está mais perto de nós,
pois encontras-te connosco no nosso coração.
Quando subimos a uma montanha muito alta,
não estamos mais perto de Deus
do que quando descemos a um vale muito profundo.

Nenhum ponto do Universo está mais perto de Vós, Deus Santo, do que outro.
Eis a razão pela qual não precisamos de gritar para nos fazermos ouvir de Vós,
Deus Santo, pois Vós estais onde cada um de nós se encontra.
Os Actos dos Apóstolos dizem que Deus não está longe de cada um de nós,
pois nele estamos e nos movemos (cf. Act 17, 24-28).

A nossa fé proclama a vossa santidade, Trindade Santa,
como uma qualidade fundamental.
Na verdade, a santidade é igual a comunhão amorosa.
Se Vós sois uma comunhão de amor infinito, então Deus é santidade infinita.

Também as pessoas humanas, tal como as divinas, serão tanto mais santas
quanto mais profunda for a sua vivência de comunhão com os irmãos.
As pessoas humanas, diz a Primeira Carta de São João,
conhecerão tanto melhor a realidade de Deus quanto maior for a sua capacidade de amar:
“Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4, 8).
E depois acrescenta:
“Quem ama permanece em Deus e Deus nele porque Deus é amor” (1 Jo 4,16).

As Sagradas Escrituras são unânimes em reconhecer que Deus é a Verdade.
Aquilo que Deus conhece das coisas, corresponde exactamente àquilo que as coisas são.
Por ser a verdade, Deus nunca se engana nem nos pode enganar.
Do mesmo modo, o que Deus conhece de si mesmo
corresponde exactamente àquilo que Deus é.

Espírito Santo,
Ajuda-nos a conhecer a vontade de Deus,
pois esta coincide sempre com o que é melhor para nós.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias