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Textos para Jovens



Mensagem para Adolescentes Corajosos

Parábola da Nova Humanidade

Como é a Pessoa Humana

A Arte de Construir a Liberdade

Ser Discípulo de Jesus

Sem Amor a nossa Vida não é Humana

Parábola da Nova Humanidade



Para alguns, aquele homem era considerado um sonhador; mas as pessoas mais atentas afirmavam que era um profeta. Muitas das coisas que dizia não só tinham sentido como também podiam acontecer se os seres humanos se dispusessem a mudar o coração. Muitos dos seus apelos podiam tornar-se realidade se a humanidade fosse conduzida por líderes sensatos e animados pelo Espírito de Deus.

Ninguém duvidava de que aquele homem queria o bem da Humanidade. Nunca ninguém o acusou de falar para se para se exibir ou apoderar-se de privilégios.

Um dia este homem teve um sonho muito significativo: Foi convidado a dirigir-se a toda a Humanidade. Perante tal convite não se sentiu muito importante, nem pretendeu pôr-se acima dos outros, mas sentiu-se inspirado a dizer algo de muito importante. As suas palavras tinham um sabor forte de esperança. Eis a mensagem que proclamou durante aquele sonho misterioso:

Olá, Humanidade! Em primeiro lugar, estás de parabéns, pois há muitos homens e mulheres dispostos a gastar a vida por causas nobres e justas. Parabéns, pois nota-se que está a desabrochar em ti uma consciência universal capaz de defender os valores da verdade, da justiça, da fraternidade e o reconhecimento da dignidade humana.

Os homens que criam muros entre as raças, as culturas, as línguas, os povos, as nações e as religiões da Humanidade são malfeitores e inimigos do Homem. A Humanidade está a evoluir para um pluralismo tolerante e fraterno. Os que querem impor a unidade de modo monolítico estão condenados ao fracasso.

Parabéns, humanidade! Tens fome de comunhão universal, a qual só pode acontecer com pessoas livres, únicas, originais e irrepetíveis. Já tomaste consciência de que os seres humanos não são peças de artesanato feitas em série. Os sistemas opressivos e dogmáticos estão a cair.

Mereces ser felicitada, Humanidade, pois quando deixas emergir a novidade que há em cada ser humano estás a criar-te e a atingir a tua plenitude. Deus lançou as bases deste projecto, mas não te substitui, a fim de poderes emergir de modo livre, consciente e responsável.

Felicito-te Humanidade, pois começas a compreender que os pilares da paz e da justiça estão no diálogo e na participação de todos nas coisas que a todos dizem respeito. É este o caminho para acontecerem saltos qualitativos em direcção à emergência tal como Deus a sonhou.

Parabéns, Humanidade, pois há sinais de estares a atingir o limiar de um novo salto qualitativo de consciência! Está a aproximar-te da fase de plena maturidade, a plenitude dos tempos. Esta fase foi iniciada por Jesus Cristo há dois mil anos. Isto quer dizer que ainda está nos começos. Com efeito, dois mil anos na História Humana não significam mais que um grão de areia numa praia imensa!

Mas o projecto ainda não está acabado. Há até forças cegas que pretendem opor-se a este parto magnífico. Mas podes ter a certeza de que o processo é irreversível. Em poucas décadas conseguiste destruir muros que nós pensávamos não poderem ser destruídos nos séculos mais próximos. Hoje olhas as coisas com horizontes que, há algumas décadas atrás, ninguém ousava prever.

És de facto um processo onde acontece a novidade e o imprevisível. As pessoas sensatas e boas entendem perfeitamente que estás a emergir de modo único, original e irrepetível no concreto de cada ser humano. Começas a compreender que o sucesso da tua realização só pode acontecer na medida em que todas as pessoas possam realizar-se.

Mas para isso é preciso que cada ser humano possa deixar emergir os possíveis que habitam o seu coração como vocação as novas expressões de vida humana. Não existe uma Humanidade determinada por Deus. Fomos criados para nos criarmos. Nascemos para renascer!

O ser humano começa por ser um feixe de possibilidades de realização que recebeu dos outros. São os talentos como Jesus Cristo lhes chamou. Uns recebem cinco, outros três, dois ou um. Deus acolhe-nos assim como somos e com os talentos que temos. Ninguém é herói por receber cinco, ninguém é culpado por receber dois. A heroicidade ou cobardia resulta da fidelidade ou infidelidade com que nos realizamos fazendo render os nossos talentos.

À medida em que o ser humano se realiza como pessoa é incorporado na comunhão universal do Reino de Deus. Esta comunhão é constituída pelas três pessoas divinas, os milhões de pessoas humanas e todas as outras que possam existir ou ter existido no Universo.

Depois de acordar deste sonho aquele homem, sonhador para uns e profeta para outros, fez o propósito de gastar a ajudar os homens a transformar o coração no sentido da fraternidade. A sua vida é uma grande mediação do amor de Deus para a Humanidade.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

Como é a Pessoa Humana



A base do nosso ser é o corpo. Mas a pessoa não se esgota no seu corpo. O nosso corpo liga-nos à Terra da qual obtemos constantemente os elementos essenciais à vida. É também através do nosso corpo que comunicamos e convivemos com as outras pessoas.

O nosso corpo é um ser vivo que tem necessidades, tais como: Fome, sede, necessidade de conforto, de repouso, de movimento, de sono, de vigília, de higiene e muitas outras. Muitos dos nossos comportamentos estão marcados e condicionados pelas necessidades do nosso corpo: comer, vestir, higiene, sexualidade e outras.

O nosso corpo é também um receptor de ternura. Precisamos muito de receber ternura para crescermos como pessoas felizes e equilibradas. As crianças que recebem ternura e carícias desenvolvem melhor as suas capacidades corporais e mentais. Ficam mais capacitadas para se tornarem pessoas felizes. As crianças que não recebem carícias nem ternura ficam mais atrofiadas no corpo e muito mais pobres na sua vida psíquica mental.

É fácil observar como existe uma grande variedade de comportamentos nos seres humanos. Muitos destes comportamentos dependem do facto de as pessoas, quando eram crianças, terem recebido ou não carícias e a ternura de que precisavam.

Muitas pessoas que não receberam ternura ou carícias quando eram crianças, têm comportamentos incorrectos no modo de satisfazer as necessidades do seu corpo. Se estivermos atentos, podemos observar em nós, e nos outros, algumas atitudes que não são as melhores: relações agressivas, necessidade de se compensar com muitas guloseimas, comer demasiado, busca exagerada de prazeres e satisfações, intolerância, ou ser demasiado exigente com os outros.

A maior parte destes comportamentos é o resultado de as pessoas, quando eram crianças, não terem recebido a ternura e o carinho de que tinham necessidade. Hoje sabe-se que as crianças que foram muito privadas de ternura e carícias ficam frágeis, com menos defesas e, portanto, mais sujeitas a doenças.

Para lá do nível da vida corporal, temos também o nível da vida psíquica ou mental, isto é, os nossos sentimentos, afectos, emoções, desejos, aspirações e a maneira como reagimos às situações do dia a dia. De facto, não somos ilhas em relação aos que nos rodeiam. Somos seres em construção e só nos podemos construir em comunhão com os outros.

O nosso psiquismo estrutura-se em dinâmica histórica. Não nascemos inteiramente determinados. Por outras palavras, as possibilidades que recebemos pela herança genética podem dar uma pessoa com um determinado jeito de viver, ou com outro bastante diferente. Isto depende do contexto familiar, escolar, social e cultural. Esta verdade está testada com o caso de gémeos verdadeiros que cresceram e se realizaram em contextos muito diferentes.

A nossa inteligência e a nossa vontade não são faculdades isoladas das outras capacidades da pessoa nem se desenvolvem independentemente do contexto social em que a pessoa se realiza. A história das nossas vivências emocionais condiciona ou possibilita a nossa capacidade de entender e de escolher.

Estamos chamados a construirmo-nos de modo livre, consciente e responsável. Mas isto só é possível graças ao facto de, em nós, os instintos terem sido enfraquecidos pela maravilhosa complexidade e riqueza do nosso cérebro.

A vida psíquica e a vida corporal estão interligadas. Formam a parte exterior das pessoas humanas. O nível mais importante das pessoas é a vida espiritual que forma a dimensão interior de cada um de nós.

A vida espiritual é a nossa interioridade espiritual. É a dimensão imortal do ser humano. A nossa interioridade pessoal-espiritual desenvolve-se e cresce no mais íntimo da pessoa humana.

O ponto mais importante da vida espiritual é o que a Bíblia chama de coração, isto é, o centro onde decidimos fazer o bem e amar a Deus e aos irmãos. É no nosso coração que habita o Espírito Santo, o qual nos fortalece, e capacita para fazermos o bem às pessoas, como Jesus fez. Mas o nosso corpo faz uma unidade interactiva com o mundo dos que nos rodeiam. Somos seres sociais.     


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

Mensagem para Adolescentes Corajosos



O adolescente é uma pessoa que se encontra numa fase privilegiada para treinar a coragem e a fortaleza.

Corajoso e forte é o adolescente capaz de fazer o que está certo e justo, mesmo que, à sua volta, os seus colegas se riam e façam troça. Os colegas deste adolescente corajoso, apesar de se rirem, sentem lá no fundo que estão perante um herói. Riem-se para disfarçar o sentimento de inferioridade que têm por não serem capazes de proceder assim.

Corajoso é o adolescente capaz de tomar publicamente atitudes para defender os mais fracos, bem como os que estão sendo vítimas da injustiça. É com pessoas assim que se constrói um mundo melhor.

Corajoso é o adolescente capaz de ajudar um velhinho em público, sem ter medo Dos comentários dos companheiros.
Corajoso é o adolescente capaz de resistir à pressão que os colegas fazem no sentido de o levar a fumar, consumir drogas ou assumir atitudes e comportamentos violentos e incorrectos.

Corajoso e forte é o adolescente capaz de tomar atitudes conscientes de simpatia e atenção lá em casa.
É muito corajoso, inteligente e forte o adolescente capaz de dar apoio aos que são humilhados por terem qualidades superiores à média.

Corajoso é o adolescente capaz de correr riscos para defender os valores que a sua consciência reconhece, mesmo quando, à sua volta, a maioria despreze esses valores.
Corajoso é o adolescente que procura agir de acordo com o que pensa ser recto e justo.

Inteligente e forte é o adolescente que procura preparar-se para ser uma pessoa livre, consciente e responsável.
Corajoso e forte é o adolescente que é capaz de ser diferente, mesmo que isso, por vezes, o torne impopular.

Corajoso e forte é o adolescente que procura tratar os outros como deseja ser tratado por eles.
Corajoso e forte é o adolescente que não tem medo de partilhar a sua opinião, mesmo quando esta é diferente da dos outros e é capaz medo de exprimir em público os seus sentimentos, mesmo que seja chorar.

Corajoso é o adolescente que decide falar com alguém que lhe parece estar muito só e necessitado de alguém para falar.
Corajoso é o adolescente que decidiu escutar os problemas de alguém que precisava de desabafar.

Corajoso é o adolescente cristão que não tem vergonha de testemunhar a sua fé diante dos outros.
Corajoso é o adolescente que se mantém firme e não anda ao sabor das opiniões dos outros.

Corajoso e forte é o adolescente que, quando comete um erro, tem a coragem de o reconhecer.
Corajoso é o adolescente que não perde a esperança no meio das dificuldades, pois sabe que uma vida de sucesso também tem alguns fracassos pelo meio.

Corajoso e forte é o adolescente que procura manter boas relações com as pessoas, mesmo com os adultos que, por vezes, não entendem as suas dificuldades e problemas.
Corajoso é o adolescente capaz de enfrentar os outros procurando, com coragem, agir de acordo com o que pensa ser correcto.

Corajoso e forte é o adolescente que procura merecer a confiança dos outros, sendo leal e verdadeiro.
Corajoso e forte é o adolescente que procura transmitir optimismo mesmo nas situações mais difíceis.

Corajoso é o adolescente que acredita em si e se esforça para atingir metas e objectivos na vida.
Corajoso é o adolescente que não deixa que os outros o machuquem ou desiludam, procurando manter-se de pé por sua força de vontade.

Corajoso é o adolescente que sabe escolher como amigos pessoas que lhe permitem actuar segundo a sua consciência.
Corajoso, forte e extraordinário é o adolescente capaz de tomar a defesa de uma pessoa que está a ser injustamente acusada.

Corajoso e forte é o adolescente que, mesmo ao ver outros troçarem dele, é capaz de se manter firme nas posições que julga serem as correctas.
Corajoso e forte é o adolescente que procura ajudar os outros os outros com um espírito de doação e gratuidade.
Corajoso é o adolescente que procura ser simpático e amável mesmo quando as coisas correm mal.

Corajoso é o adolescente que procura cumprir a regra de oiro que Jesus ensinou, a fim de atingir a perfeição: “Não faças aos outros o que não queres que eles te façam”. Mas é ainda maior se cumprir esta regra pela positiva, condição para atingir a santidade: “Faz aos outros o que desejas que eles te façam”.

Corajoso é o adolescente que trabalha para conseguir o que deseja, mesmo quando os outros dizem que não vale a pena tentar.
Corajoso é o adolescente que recorda sempre que é uma pessoa e, por isso, é importante. Por estar seguro desta verdade, nunca despreza as suas possibilidades, mesmo que os outros não acreditem nelas.

Corajoso e grande é o adolescente que procura fazer aquilo que os outros ainda não fizeram. Isto significa ser criador. Criar é fazer acontecer aquilo que ainda não aconteceu no sentido do amor, da arte, da cultura e do desporto.
Corajoso é o adolescente que se treina para ter uma vida disciplinada, desenvolvendo métodos para atingir metas, objectivos e fins. Deste modo consegue chegar muito longe.

Corajoso e forte é o adolescente que é capaz de dizer não aos colegas quando estes o convidam a fazer coisas que vão contra a sua consciência. Estes adolescentes são verdadeiros construtores de um mundo mais humano e justo.
Corajoso e forte é o adolescente capaz de dizer a verdade, mesmo quando faz algo errado.

Corajoso e forte é o adolescente capaz de aceitar os seus defeitos, tentando levantar-se sempre após uma queda ou um fracasso. É importante sabermos que a pessoa humana é um ser em construção. Ninguém é perfeito porque ninguém está acabado.

Os cristãos têm um segredo para serem verdadeiros heróis, gigantes da coragem. Este segredo é a força do Espírito Santo que está em nós. Se confiarmos no Senhor que habita em nós e nos dispusermos a acolher essa força seremos capazes de fazer as coisas mais incríveis. A bíblia fala-nos de algumas pessoas que foram capazes de fazer aquilo que toda a gente pensava ser impossível:

Temos o caso de um adolescente que foi um autêntico milagre de fortaleza e coragem: o pastor David. Com uma fisga matou um gigante que ameaçava destruir o exército do povo de Deus (1 Sam 17, 39-47).

Os apóstolos, apesar de serem gente sem cultura confundiam os doutores do seu tempo (Act 4, 13). A carta aos Hebreus diz-nos que, quando estivermos com grandes dificuldades, contemos com a ajuda de Deus que nos fortalece e nunca nos deixa perecer (Heb 4, 16).

Na véspera da sua morte, Jesus disse aos discípulos para não terem medo, dando-lhes a garantia de que, ao ressuscitar, ia enviar-lhes a força do Espírito que viria consolá-los e fortalecê-los (Jo 14, 16-31).

O Espírito Santo, em nós, opera maravilhas de fortaleza e coragem:
-Consola-nos nas situações difíceis;
-Torna-nos fortes face aos nossos adversários;
-Intercede por nós junto do Pai e do Filho;
-Defende-nos do mal;
-Faz crescer em nós o sentido do pecado (não sentimentos de culpabilidade);

-Fortalece-nos e estimula-nos a fazer a vontade de Deus;
- Cristo só confiou aos Apóstolos a missão de evangelizar o mundo de pois de lhes comunicar o dom do Espírito Santo;
-O Espírito Santo habita em nós, diz o evangelho de São João (Jo 14, 17);

No antigo Testamento diz-se muitas vezes que o Espírito de Deus veio sobre um pessoa. Com este modo de falar, a Bíblia queria referir-se a uma missão ou ministério temporário e passageiro; Jesus, agora diz que os crentes são habitados pelo Espírito Santo de modo permanente e para sempre (Jo 14, 16);

O Espírito Santo é princípio animador de relações e vínculo de comunhão orgânica. É por esta razão que, graças à habitação do Espírito Santo em nós, ficamos a pertencer à família da Santíssima Trindade.

Através do Espírito Santo, ficamos em intercomunicação com as pessoas de Deus Pai e Deus Filho. Eis a razão pela qual, Cristo Ressuscitado está mais perto de nós do que qualquer outro amigo.

Para onde quer que vamos, Deus Pai e Deus filho vão connosco, pois estão organicamente unidos a nós graças à acção do Espírito Santo; São Paulo diz que não devemos pecar, a fim de não contristarmos o Espírito Santo que habita em nós (Ef 4, 30);

O Espírito Santo, no nosso íntimo, não é uma presença estática. Pelo contrário, com é princípio animador de relações está constantemente animando o nosso interior, capacitando-nos para comunicarmos com os outros e fazermos maravilhas;

Uma das coisas importantes que o Espírito Santo faz em nós é iluminar a nossa mente e ajudar-nos a compreender as coisas de maneira nova e muito mais profunda; Jesus diz que o Espírito Santo nos ensinará todas as coisas, fazendo-nos ver o sentido pleno da Palavra de Deus e do seu querer (Jo 16, 13);

Antes da ressurreição de Cristo, os discípulos não foram capazes de ver o alcance mais profundo dos ensinamentos de Jesus. Mas quando o Senhor Ressuscitado lhes enviou o Espírito Santo começaram a ver as realidades de modo muito diferente;

No nosso íntimo, o Espírito Santo é uma fonte de Água Viva a jorrar vida Eterna, isto é, relações de comunhão com Deus e os irmãos (cf. Jo 7, 37-39).

As imagens usadas pelo Novo Testamento para falar do Espírito Santo são muito significativas:
-Um auxiliar;
-Um companheiro;
-Um mestre;
-Fonte a partir da qual brota Água Viva;
-Habita naqueles que o recebem, mediante a Fé;
-Ele é a presença da força criadora e salvadora de Deus em nós;
-Unidos ao Espírito Santo podemos fazer todas as coisas;

O poder da Fé e o poder do Espírito Santo identificam-se: pode mover montanhas, isto é, é a força mais potente de todo o Universo; mediante o Espírito Santo Cristo permanece connosco até ao fim do Mundo;

A nossa coragem e a nossa sabedoria serão infinitamente maiores se estivermos unidos ao Espírito Santo que habita em nós e nos põe em comunhão com Deus e os irmãos.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

A Arte de Construir a Liberdade



Liberdade, é uma conquista e uma tarefa a realizar. É a capacidade de a pessoa se relacionar amorosamente com os outros e interagir criativamente com as coisas. A liberdade não acontece sem decisões amorosas e atitudes criativas.

Com efeito, a nossa liberdade é o resultado de uma cadeia de opções, escolhas e decisões na linha do amor. O ser humano não nasce livre. Mas tem a possibilidade de se realizar como pessoa livre, consciente e responsável. As pessoas não são peças de artesanato feitas em série. Isto significa que os seres humanos têm diferentes graus de liberdade realizada.

Esta situação deriva do facto de o ser humano estar em construção histórica. Faz-se, fazendo. Cada pessoa se realiza de modo único, original e irrepetível. A liberdade é sempre uma consequência das opções, escolhas e decisões pessoais. Trata-se, naturalmente, de opções na linha do amor e da criatividade.

Por outras palavras, a liberdade, tal como a realização pessoal, é fruto de uma vida comprometida. É verdade que não há realização pessoal nem liberdade sem sonho. No entanto, a pessoa não é igual aos sonhos que tem, pois a pessoa faz-se fazendo. Temos de dizer que a pessoa é igual aos sonhos e projectos que realiza.

Alguns sonhos não passam de fugas da realidade. A pessoa que se deixa embalar por tais sonhos não se realiza. E por esta mesma razão não atinge um nível profundo de liberdade. Não devemos confundir liberdade com livre arbítrio. Este é a capacidade psíquica de optar. Mas não basta decidir e optar para sermos livres.

De facto, podemos optar pelo amor ou pelo egoísmo. Apenas as opções na linha do amor e da criatividade tornam a pessoa livre. Como vimos, ser livres é ser capaz de se relacionar amorosamente com as pessoas e interagir criativamente com as coisas.

Como capacidade psíquica de optar, o livre arbítrio é a possibilidade de sermos livres. Mas tudo depende do estilo das nossas opções. Ninguém é capaz de matar a liberdade da pessoa que se tornou livre. Mas também ninguém é capaz de dar a liberdade a alguém.

A sociedade pode prender uma pessoa profundamente livres. Pode limitar as possibilidades de esta pessoa exercitar a sua liberdade e, portanto, condicionar o seu crescimento em liberdade. Mas ninguém é capaz de lhe roubar a liberdade, pois esta é uma dimensão espiritual. A liberdade pertence à interioridade máxima da esfera espiritual da pessoa.

Jesus disse que quem comete o pecado é escravo do pecado (Jo 8, 34). O pecado é exactamente o contrário do amor. É a recusa da pessoa humana a realizar-se mediante relações de amor.

Cristo libertou-nos das amarras do medo e deu-nos duas asas fundamentais para voarmos em direcção à liberdade: o Espírito Santo e a Palavra de Deus. As asas não se nos impõem, mas capacitam-nos para voar. Só voam se entrarmos em sintonia com a sua força de voar.

Eis o que diz o evangelho de João a este respeito: “Se permanecerdes na minha Palavra sereis meus discípulos, conhecedores da verdade. E a verdade vos libertará” (Jo 8, 31-32). A Palavra de Deus, por ser a verdade, dá-nos os critérios certos para optarmos e decidirmos na linha do amor, condição fundamental para sermos livres. No nosso íntimo, Deus é um grito que nos convida a agir de acordo com o amor, a fim de sermos livres.

Como vemos a liberdade não é uma coisa que possamos dar aos outros. Mas podemos dar melhores ou piores condições para que os outros se tornem livres. A afirmação segundo a qual Deus nos dá a liberdade precisa de ser explicada: Em primeiro lugar é preciso saber que todos os dons de Deus nos são feitos em forma de possibilidades ou talentos. Esta é uma condição essencial para as dádivas divinas serem dons. Se assim não fosse não seriam dons mas imposições.

Como já vimos, a liberdade é uma dimensão espiritual. É a capacidade de nos relacionarmos amorosa e criativamente. A possibilidade de sermos livres assenta tanto no nível biológico como no psíquico.

A nível biológico a possibilidade de sermos livres assenta no nosso cérebro o qual, pelo neocortex, nos liberta da estrutura instintiva rígida dos animais e que é a matriz do livre arbítrio. Com efeito, os animais não têm livre arbítrio, pois todos os seus comportamentos são determinados pelos instintos.

A nível psíquico temos o livre arbítrio possibilidade de optarmos pelo bem ou pelo mal. Se decidimos optar pelo mal, isto é, pelo que impede o homem de se realizar como pessoa em comunhão com os outros não nos tornamos livres. Se, pelo contrário, decidimos e optamos na linha do amor, então emergimos e robustecemo-nos como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de comunhão amorosa.

São Paulo, na carta aos Gálatas diz uma coisa muito importante em relação à liberdade: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto permanecei e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão (…). Que a liberdade não sirva de pretexto para vos deixardes subjugar pela carne, o homem velho. Pelo contrário, mediante o amor, ponde-vos ao serviço uns dos outros” (Ga 5, 1-13).

Como dissemos acima, nem todas as pessoas têm o mesmo nível de liberdade. São Paulo aconselha as pessoas que têm um nível maior de liberdade a não chocarem os mais fracos: “Mas tende cuidado que a vossa liberdade não venha a ser ocasião de queda para os mais fracos. Se alguém te vê, a ti que tens a ciência e a liberdade, comer alimentos que foram consagrados aos ídolos, é capaz de se voltar para os ídolos. Deste modo, pela tua ciência vai perder-se quem é fraco?” (1 Cor 8, 9-10).

A lei do amor continua a ser a expressão da liberdade já realizada e o caminho para continuar a crescer na mesma liberdade.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

Ser Discípulo de Jesus


Naquele dia os Apóstolos ficaram encantados. Tinha-lhes acontecido uma coisa maravilhosa: Jesus tinha-os mandado a pregar às aldeias vizinhas e o resultado fora extraordinário. As pessoas vinham em multidão atrás deles.

A Palavra de Deus é uma Boa Nova que encanta muita gente. Os Apóstolos não eram jogadores de futebol famosos nem cantores famosos ou atletas conhecidos no mundo inteiro. Também não eram actores de cinema nem tinham feito cursos universitários.

Pelo contrário, os discípulos de Jesus eram pessoas muito simples. Alguns nem sabiam ler! Vestiam pobremente e, como eram pescadores, as suas roupas cheiravam a peixe. No entanto, fizeram a experiência das maiores maravilhas que podem acontecer a um homem.

O que fazia dos Apóstolos pessoas especiais era o facto de viverem com Jesus. Deus chama pessoas comuns para servirem o Evangelho. Mas àquelas que aceitam o seu chamamento, Jesus torna-as capazes de realizar obras maravilhosas.

Naquela manhã, Jesus mandou os Apóstolos pregar às aldeias vizinhas. Depois ficou à espera deles num sítio determinado. Ao regressarem, Pedro vinha à frente. Vinha tão contente que não conseguia calar a sua alegria. Ainda vinha muito longe quando começou a gritar por Jesus.

Ao enviá-los, Jesus tinha-lhes dito: “Ide anunciar às pessoas que o Reino de Deus está próximo. Também vos dou poder para curardes os doentes e libertardes as pessoas dos males que as oprimem”. Eles, sem entenderem muito bem o que isso era, partiram. Mas nunca podiam imaginar as maravilhas que lhes viriam a acontecer.

Jesus estava sentado à sombra de uma árvore, esperando o seu regresso. Pedro, caminhando à frente de todos, não conseguia conter tanta alegria. Correu para Jesus, deu-lhe um abraço, e disse: “Nem podes imaginar as maravilhas que aconteceram! Nós nem podíamos acreditar. As pessoas juntavam-se a nós e ficavam maravilhadas com a nossa mensagem. Os doentes curavam-se quando nós os tocávamos!”.

Ao enviar os Apóstolos, Jesus comunicou-lhes a força do Espírito Santo. Por isso é que eles podiam fazer todas aquelas maravilhas. Jesus quer a salvação das pessoas. Por isso partilhou com os discípulos o poder de Messias que Deus Pai lhe tinha comunicado: o Espírito Santo.

As pessoas que vieram atrás dos discípulos acabaram por se juntar formando uma multidão. Jesus olhou para aquelas pessoas e sentiu pena de ver tão cansadas. Eram realmente pessoas oprimidas pelo peso de uma vida difícil. Os sacerdotes não as estavam a ajudar. Precisavam de um guia que as ajudasse a caminhar para uma vida nova. Jesus comoveu-se e disse: “parecem ovelhas sem pastor”.

Depois de ter dito isto, subiu para uma pequena colina, abriu os braços e saudou aquelas pessoas. Depois começou a dizer-lhes que Deus gosta muito delas e por isso fez um plano de salvação para elas. O Pai do Céu, dizia Jesus, enviou-me para realizar este plano.

Os discípulos começavam a ficar nervosos, pois era tarde e as pessoas não tinham de comer. Então um dos discípulos aproximou-se de Jesus e disse-lhe: manda as pessoas embora, pois estão cheias de fome e aqui não lhes podemos dar de comer.

Apesar das maravilhas que tinham visto, os discípulos ainda não compreendiam que era Jesus. Nesse momento, Jesus disse a Filipe: “Dai vós de comer a estas pessoas”. Filipe assustou-se e disse: “nós?”. Como podemos nós alimentar esta multidão? Está ali um jovem com cinto pães e dois peixes, mas que é isso para tanta gente?”

Jesus disse a André, irmão de Pedro: “diz ao jovem que traga aqui os cinco pães e os dois peixes”. O jovem aproximou-se. Jesus olhou-o com amizade, sorriu-lhe, e pondo a mão sobre o seu ombro disse: “estás disposto a partilhar a tua merenda, a fim de podermos comer todos?”. O jovem acedeu ao convite de Jesus, entregando os cinco pães e os dois peixes.

Jesus pediu aos discípulos para mandarem sentar as pessoas sobre a relva em grupos de cinquenta e cem pessoas. Em seguida abençoou os pães e os peixes, dando graças a Deus Pai pela força libertadora do amor e da partilha. Depois de partir os pães e os peixes mandou-os distribuir pela multidão. As pessoas comeram até ficarem saciadas. No final os discípulos recolheram o que sobrou.

Nesse momento, a mente dos discípulos abriu-se, associando esta experiência a um ensinamento que Jesus lhes tinha feito. Jesus explicado nesse ensinamento que Ele é o Pão da Vida Eterna e a fonte da salvação. Os discípulos compreenderam que o amor é o alimento da salvação.

Associando o milagre dos pães e dos peixes com as maravilhas que lhes tinham acontecido durante a pregação dessa manhã, os discípulos entenderam que o Reino de Deus já estava em acção no meio deles, pois já começavam a ver os sinais de abundância. Estava a acontecer o que o profeta Isaías tinha dito muito antes: “Vinde todos, mesmo os que não têm dinheiro. Vinde, levai trigo para comer sem pagar nada. Levai vinho e leite, pois tudo é de graça” (Is 55, 1).

Compreenderam que as pessoas que partilham com os irmãos vencem o drama da solidão e da fome. Agora os discípulos entendiam a razão pela qual Jesus se chamou a si mesmo o pão da vida.

Foi para dizer esta verdade que Jesus nos deixou a Eucaristia. No momento da comunhão acontece em nós um milagre: o Espírito Santo fortalece os laços de união que existem entre nós e Cristo, fazendo de nós o corpo de Cristo.

Ser discípulo de Cristo é participar da sua missão de libertar as pessoas de tudo o que as oprime e impede de viver a liberdade dos filhos de Deus.

Jesus é o Salvador anunciado pelos profetas. Deus consagrou-o com o poder do Espírito Santo para realizar esta missão (Lc 4, 18-21). Os seus discípulos, para poderem continuar a missão de Jesus, são consagrados com essa mesma força do Espírito Santo.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

Sem Amor a nossa Vida não é Humana


Sem amor o ser humano não tem razões válidas para viver. O amor confere qualidade verdadeiramente humana à vida das pessoas. De facto, os seres humanos não nascem humanizados. A humanização é um processo gradual que implica decisões, escolhas, opções e planos marcados com o selo do amor.

O ser humano humaniza-se assim: cresce como ser espiritual através das relações de amor com os outros. Crescer espiritualmente significa que a nossa interioridade pessoal cresce em densidade espiritual e em capacidade para fazer o bem. Por outras palavras, à medida em que cresce como interioridade pessoal-espiritual, o ser humano torna-se capaz de comungar mais e melhor com os outros.

Sem amor é impossível acontecer a humanização do Homem. Não basta ser inteligente. A inteligência sem amor gera perversões e cria armas assassinas que matam muitos milhões. Sem amor, o sucesso torna as pessoas arrogantes e opressoras.
Sem amor, a justiça torna-se prepotente e injusta.
Sem amor, a riqueza torna as pessoas avarentas e desumanizadas.

A verdade, sem amor, converte-se em afirmações agressivas que vão magoar os outros.
A beleza, sem amor, deixa de ser um caminho para a ternura e a comunhão.
A autoridade, sem amor, torna tiranos aqueles que a exercem e machuca aqueles que lhe são subordinados.
O trabalho, sem amor, torna as pessoas infelizes e subservientes. Se for realizado num clima de amor, o trabalho converte-se num modo privilegiado de o ser humano se realizar como pessoa.
A oração, sem amor, é hipocrisia farisaica.

Sem amor, as leis geram servilismo e mecanismos de revolta. O amor é criativo: todos os dias inventa gestos e atitudes adequados para ajudar os outros a crescer.
Sem amor, a fé não é teologal, isto é, não é um dom do Espírito Santo. Com efeito, a vida teologal concretiza-se em atitudes de Fé, de Esperança e Amor Caridade, ou seja, Amor ao jeito de Cristo.
Sem amor, a fé tende a gerar fanatismo religioso.
Sem amor, a pessoa humana não atinge a sua realização.

Por outro lado, de facto, o amor dos outros capacita-nos para amar. É o amor dos outros que nos confere o leque de talentos que possibilita a nossa realização. Os nossos planos e opções de amor são o modo de realizarmos os talentos que recebemos através do amor dos outros.

São Paulo, o grande cantor do amor ao jeito de Cristo, isto é, a caridade, diz o seguinte: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver caridade.

Ainda que eu tenha uma fé tão grande que transporte montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Mesmo que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita.

A caridade é paciente e prestável. Não é invejosa. Não é arrogante ou orgulhosa. A caridade não faz coisas inconvenientes, nem procura o seu próprio interesse. A caridade não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. A caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará” (1 Cor 13, 1-8).

Resumindo este hino maravilhoso ao amor podemos dizer: sem amor, a nossa vida não é humana e, portanto, não pode ser divinizada!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias