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Construir-se em Comunhão com Deus e os Outros

Paris, França (National Geographic)


a)      Estar atentos aos Sinais de Deus
b)      Tomar Consciência dos Próprios Talentos
c)      A Autoconfiança
d)     Agir com Determinação e Capacidade de Diálogo
e)      Fracassos e Felicidade
f)       O Amor Como Caminho de Plenitude


a) Estar Atentos aos sinais de Deus

A Atenção aos momentos oportunos é um dom do Espírito Santo. Desta atenção depende o sucesso ou o fracasso de uma vida. A teologia chama a esta capacidade de intuir os momentos oportunos para agir de atenção aos sinais dos tempos: “Felizes os servos que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes” (Mt 12, 37); “Estai atentos e vigiai, pois não sabeis quando será o momento (...). Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o senhor da casa voltará: à tarde, à meia noite, ao canto do galo, ou de manhã, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo. E o que digo a vós digo a todos: vigiai” (Mc 13, 33-37).

O aproveitamento de uma oportunidade que Deus nos concede pode mudar a vida ou bloquear o feixe das nossas possibilidades ou talentos. É um erro desprezar as pequenas oportunidades, pensando que só devemos ligar às grandes. Cruzar os braços à espera de grandes oportunidades pode significar o malogro da vida. Muitas vezes as grandes oportunidades surgem apenas após uma cadeia de fidelidades a pequenas oportunidades.

A pessoa que procura dar o melhor nas situações comuns acaba por encontrar sempre oportunidades de excepção. É sinal de sabedoria saber dar o melhor de si com os meios que temos e as circunstâncias em que nos encontramos. Não anulemos projectos de vida só porque não aparecem situações extraordinárias.

É importante ter a coragem de correr riscos. Muitas vezes as melhores oportunidades aparecem entretecidas com a possibilidade de alguns riscos. Há muitas pessoas que perderam o comboio da vida devido ao facto de terem medo de correr riscos. É importante olhar a vida com fé, estando atentos à hora de Deus. É importante ter presente que não podemos construir uma vida de sucesso humano e espiritual sem correr riscos.

Muitas pessoas passaram a vida à espera de oportunidades em que não seja preciso correr riscos. Devemos acreditar que a força de vencer obstáculos e contornar riscos circula é o dinamismo amoroso e criador de Deus que circula no mais íntimo de nós.

O cristão que toma a sério a presença dinamizadora de Deus no seu íntimo torna-se capaz de encontrar nas dificuldades uma possibilidade para dar passos no processo da sua realização pessoal e na comunhão com Deus e os irmãos. É importante que a pessoa se lance com a certeza de que é capaz de realizar os impossíveis, pois a presença amorosa e criadora de Deus, a circular no seu íntimo faz que muitos impossíveis para a pessoa se tornem possíveis... (Ler o Texto Completo)

Entrevista de Ajuda e Direcção Espiritual


Olá! Hoje o texto que partilhamos por aqui é um pouco diferente do normal... um dos serviços aos quais o pe.Santos mais se dedicou foi o da Entrevista de Ajuda, no âmbito da sua formação em psicoterapia. Encarou este serviço como um dos modos principais de actualizar a linguagem da Fé, superando práticas tradicionais de direcção espiritual. Um grande abraço!




a) O Que é a Entrevista de Ajuda
b) Entrevista de Ajuda e Crescimento Pessoal
c) Entrevista de Ajuda e Profetismo


a) O Que é a Entrevista de Ajuda
Não é segredo para ninguém que a chamada direcção espiritual desapareceu praticamente da actividade pastoral dos nossos tempos. A principal razão deste desaparecimento radica no facto de o modelo tradicional da direcção espiritual já não estar em sintonia com o pensar e o sentir das pessoas do nosso tempo.

A entrevista de ajuda espiritual é uma prática pastoral fundamentada nas novas aquisições da psicologia e da antropologia contemporâneas. A entrevista de ajuda não se confunde com a confissão que, por ser sacramento, tem a estrutura de uma celebração de uma celebração da Fé.

A entrevista de ajuda espiritual também não se confunde com a direcção espiritual tradicional, pois esta prática pastoral era, como o seu nome indica, uma prática essencialmente directiva a nível das interpretações e impositiva a nível dos comportamentos.

Na direcção espiritual o padre funcionava como uma espécie de sede da sabedoria que tinha sempre a certeza do que convinha ao penitente. Eis a razão pela qual o director espiritual tinha a missão de indicar ao penitente os procedimentos que este devia seguir para seguir o que era melhor para si. O penitente só tinha uma coisa a fazer: obedecer ao director espiritual.

Procedendo deste modo o dirigido nunca se enganava. Mesmo admitindo a hipótese de o director se enganar, dizia-se, o dirigido nunca se enganava, pois o responsável, neste caso, era o padre. Mas à luz do Evangelho, o principal enganado neste modelo de direcção espiritual era, de facto, o dirigido.

Segundo o testemunho dos evangelhos, Jesus disse que aqueles que fazem apenas aquilo que lhes foi mandado são servos inúteis para a causa do Evangelho: “Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi mandado dizei:”Somos servos inúteis, pois só fizemos o que estava mandado” (Lc 17, 10). Naturalmente que estamos perante uma acusação dirigida aos fariseus, os quais vivam escravizados pelas normas e preceitos da Lei mosaica.

A prática e os ensinamentos de Jesus vão numa linha totalmente diferente: Se aprofundarmos um pouco as atitudes de Jesus verificamos que ele está constantemente em conflito com os fariseus por causa destas normas e preceitos: Sábado; ritos e lavagens de purificação; normas do jejum; convívio e refeições tomadas com os marginais;

Jesus aboliu estas coisas, substituindo-as pelo mandamento do amor: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35).

No evangelho de São Mateus Jesus declara que o seu procedimento é a maneira de cumprir plenamente a Lei até ao seu último ponto (Mt 5, 17). São Paulo entendeu muito bem este ensinamento de Jesus quando escreveu na Carta aos Romanos: “Servi na novidade do Espírito e não na caducidade da letra” (Rm 7,6). E na Segunda Carta aos Coríntios, acrescenta: “É ele que nos torna aptos para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito. Com efeito, a letra mata, mas o Espírito dá vida” (2 Cor 3, 6).

O que Jesus quis dizer com este ensinamento é o seguinte: A pessoa que procura viver o seu dia a dia seguindo os apelos do amor terá de inventar e criar atitudes sempre novas, as quais não lhe são indicadas antecipadamente por normas ou preceitos (... Ler o Texto Completo ...)

Horizontes Bíblicos da Oração Cristã


a)    Oração Cristã e Bíblia
b)   Jesus, Modelo de Oração
c)    Orar no Espírito Santo
d)   Tomar Deus a Sério e Orar sem Cessar


a) Oração Cristã e Bíblia

A oração não faz mudar Deus de opinião, mas transforma o coração da pessoa humana, capacitando-a para sintonizar com Deus e receber os seus dons. Na verdade, a oração cristã não é uma forma mágica de manipular a Deus. Enquanto oramos, estamos a abrir o coração à Palavra de Deus e à acção restauradora e santificadora do Espírito Santo. Quando abrimos o coração à dinâmica do Espírito Santo, este vai-nos configurando interiormente com Cristo Ressuscitado.

A oração é uma maneira privilegiada de o crente entrar na intimidade da Santíssima Trindade pela mediação de Cristo Ressuscitado que nos confere o dom da interacção intrínseca com o Espírito Santo. É este o modo de o Espírito Santo actuar em Cristo, pondo em interacção directa a interioridade espiritual do Homem Jesus com a interioridade espiritual do Filho Eterno de Deus.

Ao predispor o nosso coração a acolher os dons de Deus, a oração dinamiza as nossas forças espirituais capacitando-nos para acolher dons fundamentais para a felicidade humana, tais como libertação interior, paz, alegria. Além disso pode operar em nós uma optimização física ou psíquica, a qual pode resultar em curas tanto de nível somático como psíquico.

A oração também nos capacita para sermos capazes de integrar e desdramatizar problemas e dificuldades que não tenhamos conseguido resolver. Ao estimular a confiança em Deus, a oração liberta-nos do medo, como diz o salmo vinte e sete: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação, que hei-de temer? O Senhor protege-me dos perigos, por que razão hei-de tremer?” (Sal 27,1).

Mediante a oração, a pessoa reforça a certeza de que Deus é fiel e verdadeiro e que jamais nos abandona. Por isso podemos fortalecer a certeza de que nada nos pode separar de Deus, como diz São Paulo: “Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós? Se Deus não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por nós, como não nos dará todos os bens juntamente com ele?” (Rm 8, 31-32) ... Ler Mais ...

A Força Renovadora da Esperança Cristã


a)  A Originalidade da Esperança Cristã
b)  A Esperança Como Antecipação do Reino
c)  A Esperança Como Negação do Fatalismo
d)  Palavras de um profeta da Esperança
e) Esperança Cristã e Plenitude da Vida
f)  Um Hino de Esperança Cristã


a)      A Originalidade da Esperança Cristã

A Esperança é um apelo interior que nos dá razões para caminharmos confiantes em direcção a um futuro promissor e feliz. O sentido que alimenta e dá solidez à nossa Esperança brota da Palavra de Deus.

Graças à Esperança, os cristãos têm a certeza de que a Humanidade não é um processo sem sentido. A Fé tem como suporte a Ressurreição de Cristo. A Esperança, partindo do suporte da Fé, antecipa a plenitude do futuro. Jesus Ressuscitado é a garantia de que a Humanidade já tem ao seu alcance o penhor de um sucesso pleno.

Os horizontes da Esperança Cristã coincidem rigorosamente com o querer de Deus a nosso respeito. Em Jesus de Nazaré, Deus inaugurou a plenitude do seu plano em favor da Humanidade. O evangelho de São João diz que todos recebemos da plenitude de Cristo: “Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça” (Jo 1, 16). Em Jesus Cristo, diz a Carta aos Efésios, Deus levou o tempo à sua plenitude: “O Pai deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, conforme a decisão prévia que lhe aprouve tomar, a fim de levar o tempo à sua plenitude” (Ef 1, 9-10).

A Plenitude dos Tempos significa a fase dos acabamentos. A Esperança Cristã assegura-nos que estamos já na fase do sucesso garantido. A plenitude da vida é um dom que nos é oferecido amorosamente por Deus. Podemos aceitá-lo ou não, pois o amor não se impõe. A Carta aos Gálatas diz que ao chegar a plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, a fim de ser inaugurado o tempo da graça, o qual implica a anulação de leis, normas ou preceitos que oprimam as pessoas (Ga 4, 4-7).

A Esperança Cristã não é apenas um desejo vago que nasce dessa fome de felicidade que todos levamos dentro. Pelo contrário, assenta num plano concreto, o qual é conhecido por nós graças ao facto de nos ter sido revelado por Deus. Este projecto é fruto de um querer explícito de Deus. Foi isto que levou Jesus Cristo a tomar as atitudes que tomou, a fim de nos revelar o querer de Deus.

Foi por este querer de Deus que fomos inseridos na Plenitude dos Tempos, como diz São Paulo: “Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. O que era antigo passou. Eis que tudo se fez novo. Tudo isto vem de Deus que, em Jesus Cristo, nos reconciliou consigo, não levando mais em conta os pecados dos homens” (2 Cor 5, 17.19).

Certa da fidelidade de Deus, a Esperança avança no sentido de atingir esta meta que nos é proposta pela Revelação de Deus. Pela Esperança, o cristão sabe que este projecto amorosamente sonhado por Deus acontecerá. Eis a razão pela qual ele tenta comprometer-se com os apelos e propostas de Deus.

Com efeito, o plano de Deus implica também o compromisso do Homem. A divinização do Homem é um dom gratuito, mas Deus só pode divinizar o ser humano na medida em que este se humaniza. Como sabemos, a humanização do homem é uma tarefa que cada pessoa tem de realizar. Ninguém nos pode substituir nesta missão. Por outras palavras, Deus diviniza o que o homem humaniza.

Estamos na plenitude dos tempos, isto é, na fase da divinização da Humanidade. A plenitude dos tempos, portanto, significa um salto de qualidade que aconteceu com Jesus Cristo e não antes dele. O evangelho de São João tem uma passagem muito esclarecedora a este respeito. Segundo esta passagem, a divinização acontece pela comunicação especial do Espírito que atinge a Humanidade de modo intrínseco e a faz dar um salto de qualidade ... (Ler o Texto Completo)

Evangelizar é Comunicar a Alegria da Fé


Olá! Partilhamos mais um trabalho do pe.Santos, chamado Evangelizar é Comunicar a Alegria da Fé. São algumas pistas e dimensões sobre a evangelização como uma vocação fundamental da vida cristã. Por isso o link fica guardado no tema Maturidade de Fé e Vida Cristã. Deixo aqui o índice e o início do texto. Um grande abraço!




a) Ser Cristão é Ser Evangelizador
b) Evangelizar é Anunciar a Alegria da Fé
c) Evangelizar é Contar Uma História
d) Evangelizar é Anunciar a Nova Aliança
e) Como Anunciar a Realeza de Cristo
f) Evangelizar é Falar da Beleza de Deus



a)      Ser Cristão é ser Evangelizador

Todos os cristãos estão chamados a ser anunciadores de Cristo ressuscitado. Este chamamento vem do próprio Cristo ressuscitado que nos dá o Espírito Santo, a fim de iluminar a nossa mente e fortalecer o nosso coração para o serviço do Evangelho.

No dia a dia da nossa vida, o Espírito Santo consagra-nos para realizarmos de modo adequado e cada qual com os seus talentos, a evangelização no nosso mundo. O Espírito Santo ajuda-nos a compreender o sentido das Escrituras, tornando-nos aptos para anunciar a Palavra que nos faz compreender e saborear o projecto de Deus.

A acção evangelizadora do cristão é uma exigência que deriva da sua própria Fé. Na verdade, sem o dom da Fé, ninguém pode ser evangelizador, pois não tem condições para saborear o sentido do plano salvador de Deus. A acção evangelizadora é o modo concreto de o cristão viver o baptismo no Espírito, isto é, a dinâmica reveladora do Espírito Santo, a qual nos confere a sabedoria do Evangelho.

Evangelizar é contar a história de um amor incondicional, o qual confere um sentido pleno à nossa existência na História. Evangelizar é proclamar a divinização do Homem, graças ao dom do Espírito Santo que nos incorpora na Família de Deus (Rm 8, 14-17).

Pelo baptismo os cristãos são consagrados, isto é, capacitados e postos ao serviço da evangelização dos irmãos. Deus conta connosco segundo os talentos que temos. É com o leque de talentos que temos que o Espírito Santo nos consagra para a tarefa da evangelização do mundo.

A Palavra de Deus faz emergir no nosso coração a Sabedoria que vem do alto a qual nos capacita para saborear o plano salvador de Deus. Como sabemos, a Fé brota da Palavra. Ao dizer no nosso coração o sentido profundo da Palavra de Deus, o Espírito Santo comunica-nos os dons que nos capacitam para a obra do Evangelho.

Eis o que São Paulo diz a este respeito: “Por seu lado são estes os frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e auto domínio” (Ga 5, 22-23). À medida em que o cristão possui uma Fé bem fundamentada na Palavra de Deus, torna-se mediação do Espírito Santo, a fim de o amor salvador de Deus ser anunciado aos homens.

O evangelizador precisa da força que vem do Espírito Santo, a fim de ter a coragem necessária para denunciar os falsos deuses que dominam os homens e os impedem de ser livres e felizes. Eis alguns desses falsos deuses que se manifestam no nosso mundo: Fome de poder, apego exagerado ao dinheiro, ânsia de ser famoso, desejo de dominar e explorar os outros.

São Paulo dizia que a sua vocação de evangelizador é uma graça muito especial de Deus. Na Carta aos Efésios São Paulo fala desta graça especial que torna apto o evangelizador. Eis as suas palavras: “Foi-nos dada a graça de anunciar aos gentios a maravilhosa salvação de Jesus Cristo” (Ef 3, 8).

No nosso coração, o Espírito Santo repete em cada dia da nossa vida as palavras que Jesus disse aos discípulos: “A Seara é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao dono da seara que mande operários para a sua seara” (Lc 10, 4-5). Os cristãos que escutam no seu coração os apelos do Espírito Santo compreendem bem as palavras que o evangelho de São Mateus põe na boca de Jesus quando diz: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5, 13).

E um pouco mais à frente, Jesus acrescenta: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte. Também não se acende a candeia para a colocar debaixo da mesa, mas sim em cima do candelabro, a fim de iluminar as pessoas. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, a fim de que vendo as vossas boas obras glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 14-16).

Como ternura maternal de Deus, o Espírito Santo gera no interior do cristão um coração evangelizador semelhante ao de Jesus. O evangelho de São Mateus pede-nos para modelarmos o nosso coração em harmonia com o coração de Jesus, pois este é o modo de sermos eficazes na obra da evangelização. Eis as palavras de Jesus: “Tomai sobre vós a minha carga e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Deste modo encontrareis alívio para as vossas vidas” (Mt 11, 29).

Graças ao dom da Fé, os cristãos sabem que não estão sozinhos para realizar a enorme missão da evangelização do mundo. O Espírito Santo é o primeiro protagonista desta tarefa grandiosa. É ele que nos capacita, tornando-nos fortes e ousados, conscientes de que não estamos sozinhos na tarefa da evangelização ... Ler Mais ...

A EVANGELIZAÇÃO COMO DOM E SERVIÇO



I-O EVANGELIZADOR E O ESPÍRITO SANTO

Ao falar do evangelizador, o Novo Testamento diz que este deve ser uma pessoa confiante e corajosa, pois ele tem consigo a mesma força que consagrou Jesus para a missão: “No decurso de uma refeição que partilhava com os discípulos, Jesus ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem lá o prometido do Pai, do qual me ouvistes falar. João baptizava em água, mas vós sereis baptizados no Espírito Santo” (Act 1, 4-5).

O Espírito Santo será o guia e o mestre deles, ensinando-os e dando-lhes força para bem realizaram a obra da evangelização do mundo: “Mas o Paráclito, o Espírito que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo e há-de recordar-vos tudo o que eu disse” (Jo 14, 16) ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: h) o Amor como Fonte de Harmonia



A harmonia a nível das relações é uma fonte maravilhosa de paz. Sabemos que esta harmonia não depende apenas de nós, pois o tecido das relações é, por natureza, um campo assente na interacção e reciprocidade. Mas de nós depende muita coisa. São Paulo reconhece esta situação quando escreve: “Se possível, tanto quanto depende de vós, vivei em paz com todos os homens” (Rm.12,18).

Sentir que está a mais, que não é procurado é uma das experiências mais destrutivas que a pessoa pode ter. Um dos aspectos mais significativos da natureza humana é o desejo de ser apreciado. Todos desejamos que as pessoas gostem de nós. Quando ouvirmos uma pessoa dizer: “Não me interessa se as pessoas gostam ou não de mim”, podemos ter a certeza de que essa pessoa ou está psiquicamente doente ou está a mentir. Uma expressão deste tipo pressupõe sempre um sofrimento de fundo.

O sentimento de não ser procurado nem necessitado produz frustração, envelhecimento e doença. Quando uma pessoa nota que ninguém a procura, sente-se dominada pela solidão. A sua vida psíquica fica profundamente abalada. Tal pessoa terá a tendência de culpar os outros. A realidade, porém, é diferente. A causa desta perturbação relacional está sobretudo dentro de si ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: g) Fé e Libertação Pessoal




A preocupação e a ansiedade doentia são hábitos mentais de carácter doentio e destrutivo do equilíbrio psíquico. Não nascemos com este ou quaisquer outros hábitos. Os hábitos são realidades adquiridas, por isso podem ser corrigidos e, através do exercício, ser expulsos da nossa mente. A ansiedade doentia é a causa de muitas tensões altas, problemas de coração, úlceras e artrites reumatóides. Mas podemos ultrapassar as nossas preocupações doentias e as ansiedades.

Podemos utilizar a nossa imaginação para vencer os sentimentos de medo, tentando visualizar a acção libertadora de Deus a fortalecer-nos, capacitando-nos para vencer as causas que geraram em nós pensamentos persistentes ligados ao medo. O que imaginamos pode tornar-se um facto na medida em que nos predispõe para agir de acordo com os conteúdos dessa imaginação.

Com o pensamento positivo podemos eliminar os medos anormais da nossa mente. Sabemos que, de facto, Deus está habitando em nós, enchendo-nos dessa força que vence os obstáculos e as causas dos nossos medos. Não esqueçamos que, no próprio momento em que surge um problema ou um obstáculo Deus está agindo em nós se lho permitirmos. Por outras palavras, Deus não se retira no momento das dificuldades ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: f) Deus está connosco mas não em nosso lugar




Como vimos, a realização plena das nossas aspirações, os nossos sonhos mais perfeitos podem realizar-se. Para isso devemos procurar sintonizar o nosso ser com a realidade de Deus: “Não andeis como os gentios, na futilidade dos seus pensamentos, com o entendimento obscurecido, alienados da vida de Deus pela ignorância e a dureza de coração” (Ef.4,18).

Já vimos que é possível atingir os objectivos que mais nos encantam e concretizar os sonhos que queríamos realizar. Mas isto só é possível se estivermos conscientes de qual é o objectivo que queremos atingir e o sonho que desejamos realizar. Nada disto poderá ser feito se não soubermos onde queremos ir. Para conseguirmos isso é muito importante criarmos espaços de silêncio e diálogo com Deus sobre os nossos planos e objectivos: “Se vivemos pelo Espírito, pautemos também a nossa vida pelo Espírito” (Ga.5,25)

Se quisermos ir a qualquer parte mas não sabemos onde ir, nunca poderemos saber o que fazer ou qual o rumo a tomar. Se quisermos atingir um objectivo devemos saber quais os passos que devemos dar para o atingir. Depois de nos certificarmos de que o projecto ou objectivo que queremos atingir é justo e correcto, falemos a Deus sobre ele. Em seguida tentemos visualizar na nossa mente esse plano, procuremos retê-lo e, de seguida, avancemos sem qualquer medo: “O vosso Pai do Céu sabe do que tendes necessidade ainda antes de lho pedirdes” (Mt.6,8)
.... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: e) Sintonia com o Dinamismo Salvador de Deus





A nossa interioridade pessoal é um feixe de energias espirituais, constituídas numa identidade única, original, irrepetível e capaz de comunhão amorosa. A comunicação com Deus acontece a partir deste núcleo íntimo atingindo sucessivamente o nível psíquico e somático, dinamizando-os e possibilitando a libertação de emoções, pensamentos e impulsos destrutivos: “Deus é espírito e os que o adoram devem adorá-lo em Espírito e Verdade” (Jo.4,24).


Deus é a origem e a cúpula das forças espirituais do Universo. As energias divinas correspondem ao nível mais nobre de todas as energias que é a vida de três pessoas de perfeição infinita em comunhão de amor incondicional. O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem as pessoas e como meta a comunhão. A Divindade é uma emergência permanente de três pessoas de perfeição infinita em convergência de comunhão amorosa ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: d) Deus, Fonte de Vida Nova

O homem não nasce feito. Humanizar-se é emergir como interioridade pessoal mediante relações de amor e convergir para a comunhão universal, cujo coração é a comunhão amorosa da Santíssima Trindade. Os pensamentos negativos levam consigo uma força destrutiva. Não trazem qualquer vantagem à pessoa que os alimenta.

Os evangelhos dizem-nos que devemos evitar os pensamentos negativos., pois eles não contribuem para a solução dos nossos problemas e dificuldades: “Quem de entre vós, com as suas preocupações, pode prolongar a duração da sua vida?” (Mt.6,25-27; Lc.12,22-31). E ainda: “Tende cuidado, disse Jesus, para que as vossas vidas não fiquem pesadas devido às preocupações” (Lc.21,34).

Os pensamentos negativos geram emoções criadoras de stress que aceleram o ritmo do coração e a pressão arterial. Apesar do ritmo acelerado em que o mundo caminha, nós podemos contrariar em nós esta tendência a provocar super excitação. Acolhamos o dom das forças de Deus e teremos a paz necessária para vivermos de modo feliz: “O fruto do Espírito é a paz” (Ga.5,22; Rm.8,6) ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: c) Deus, Fonte de Felicidade


“Pedi e recebereis, a fim de a vossa alegria ser completa” (Jo.16,24). À luz do Evangelho, ser feliz ou infeliz depende de nós. De manhã, ao acordar, posso decidir em grande parte ser feliz ou infeliz nesse dia. Tudo depende da higiene mental que começo por realizar. É importante começar o dia dizendo a Deus: “os pensamentos negativos não vão ter lugar na minha mente”; “eu sei, meu Deus, que estás em mim e que, pelo Espírito Santo optimizas as minhas forças”; “tenho a certeza de que este dia vai ser positivo para mim”; “sei que vou ser capaz de realizar as minhas tarefas, pois estou habitado pela tua força criadora”.

Eis uma maneira excelente para começar a viver um dia em que a experiência de Deus é, ao mesmo tempo, um apelo a cooperar com a acção do Espírito Santo em nós. Mas também podemos optar pela infelicidade, basta começar o dia dizendo e repetindo coisas deste tipo: As coisas vão muito mal. Nada surge de bom na vida. A nossa existência não é satisfatória. A Humanidade está a caminhar para o caos. Este mundo está perdido. Com esta atitude de espírito podemos ter a certeza de que esse dia será profundamente infeliz.

Se pelo contrário, a pessoa disser de modo consciente e decidido coisas mais ou menos como estas: “As coisas vão caminhar bem, pois Deus está em mim e por mim”. Quando vivemos com Deus, a vida é bonita e está cheia de coisas boas”. Se depois de nos repetirmos coisas deste género recordarmos coisas boas que a vida nos tem proporcionado. Podemos ter a certeza de que os acontecimentos deste dia vão ser uma fonte de felicidade para nós.” ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: b) Oração e Sintonia com a Acção de Deus



Procura, sentar-te num sítio silencioso durante uns quinze minutos pelo menos. Começa por fazer silêncio antes de começares a dialogar com Deus. Começa por pensar que, no mais íntimo do teu coração, Deus está em ti e por ti. Procedendo assim, a tua mente começa a ficar predisposta para acolher a presença e a acção transformadora do Espírito Santo.

Depois podes iniciar o diálogo com Deus. Tomemos a Divindade a sério. Para nós, cristãos, a Divindade é uma comunhão de três pessoas. Podemos iniciar o nosso diálogo ou com o Pai, de quem somos filhos, ou com o Filho de quem somos irmãos. Também nos podemos dirigir ao Espírito Santo que é, no nosso interior, o amor maternal de Deus. É ele que nos põe em sintonia com o Pai e o filho.

O nosso diálogo com Deus deve ser simples, sem palavras rebuscadas. Devemos usar as palavras mais naturais como fazemos com as pessoas que amamos. Falemos a Deus da nossa vida, sabendo que Deus a conhece e entende muito bem. Digamos a Deus como vão as nossas actividades e as dificuldades que, por vezes nos surgem. Não nos ponhamos a pedir muitas coisas ou a insistir muito num aspecto concreto. Este modo de orar cria em nós uma consciência miserabilista. É verdade que somos pobres e frágeis, mas com Deus podemos tudo ... Ler Mais ...

Colaborar com o Deus Vivo: a) Colaborar com a acção de Deus em nós



Olá! Nas próximas duas semanas teremos por aqui um texto do pe.Santos, uma verdadeira pérola e que eu conheci há 4 anos: uma proposta mais para acolher no dia-a-dia a Presença de Deus em nós. Um abraço e boa leitura!


A presença de Deus em nós não é apenas uma questão teórica. A força e o poder de Deus é real e está disponível em cada momento para fluir de Deus para nós se lhe abrirmos as vias de circulação: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o Agricultor. Ele corta os ramos que não dão fruto e poda os ramos fecundos, a fim de darem mais fruto (…). Tal como os ramos não podem dar fruto por si mesmos, mas só permanecendo na videira, assim acontecerá convosco se não permanecerdes em mim (…). Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e assim acontecerá” (Jo.15,1-7).

Com Deus podemos dominar os problemas do dia a dia. O grande segredo é confiar. Em primeiro lugar confiar em Deus e depois em nós mesmos, pois na medida em que estamos unidos a Deus através de Cristo somos fortalecidos e capacitados para coisas extraordinárias. Podemos ter a certeza de que Deus optimiza as nossas capacidades fazendo que, sem deixarmos de ser os mesmos, passamos a ser profundamente diferentes. Na medida em que permitimos ao Espírito Santo actuar em nós, a força e o poder de Deus passa a circular em nós.  ... Ler Mais ...

Maturidade de Fé e Vida Cristã

MATURIDADE DE FÉ E VIDA CRISTÃ


... A vida cristã escreve-se numa autentica base humana e alarga os horizontes da realização pessoal. O crente, guiado pelo Espírito Santo, aprofunda o seu Baptismo e, pela escuta da Palavra, saboreia os horizontes do Projecto de Deus. Fortalecido, torna-se num seguidor de Jesus Cristo realizando no mundo, com os irmãos em comunidade, a missão de ser sal, luz e fermento, mediação de critérios e projectos de Humanização...


1. Unidade e Riqueza Espiritual da Bíblica
2. Dimensões Básicas da Vida Cristã
3. Caminhos de Maturidade Humana e Cristã

4. Comunidade e Maturidade Cristã
5. Os Ministérios no Novo Testamento
6. A Catequese, a Fé e o Sentido da Vida
7. Sentido Cristão do Celibato

8. Colaborar com o Deus Vivo e Verdadeiro
9. Evangelizar é Comunicar a Alegria da Fé
10. A Força Renovadora da Esperança Cristã

11. Horizontes Bíblicos da Oração Cristã
12. Entrevista de Ajuda e Direcção Espiritual
13. Construir-se em Comunhão com Deus e os Outros

Sentido Cristão do Celibato



a) Celibato e Fecundidade na Bíblia

b) Sentido Cristão do Celibato
1- Sexualidade e Relações Humanas
2- Significado de uma Opção Celibatária


a) Celibato e Fecundidade na Bíblia

O Antigo Testamento não considera a virgindade como um valor. A morte de uma mulher enquanto virgem era considerada como um sinal de desgraça e vida perdida. A sua vida assemelhava-se à de uma árvore que secou sem dar fruto. Uma mulher com muitos filhos, pelo contrário, era considerada como uma pessoa agraciada por Deus. Os filhos são a alegria e a plenitude do casamento (Gn 24, 60; Sal 127; Sal 128, 3). Os filhos são a garantia de um casal abençoado por Deus (Ex 1, 21; 1, 26).

A Aliança de Deus com o homem leva consigo a promessa de uma prole numerosa, a qual será causa de bênçãos para a Humanidade (Gn 15, 5; 22, 17). Eis a razão pela qual o filho primogénito é pertença de Deus, pois ele é o primeiro dos grandes dons de Deus. O filho primogénito é como o dízimo das colheitas. Pertence a Deus e, por isso, deve ser resgatado pelos pais. (Ex 34, 20).

Para afirmar que a fecundidade é um dom de Deus, a Bíblia diz que os homens mais importantes da história da salvação nasceram de mulheres estéreis. Estes homens foram um dom de Deus e não obra da fecundidade humana. O eunuco, homem castrado por acidente ou por mutilação, não podia tomar parte na assembleia de Deus (Dt 23, 2). A esterilidade era sempre considerada como um problema da mulher. O homem que tem sémen é fecundo. O eunuco, como não tem sémen, é uma árvore seca. Como não é uma árvore fecunda, o eunuco não pode fazer parte do jardim de Deus, isto é, a assembleia do culto.

O conceito de fecundidade, neste período, limitava-se à capacidade reprodutora. Se uma mulher morria sem filhos, era uma mulher para esquecer. Se era o varão que morria sem filhos, o irmão deste devia ter relações com a viúva para dar descendência ao seu irmão (Dt 25, 5-6). O papel procriador era do varão. A mulher era apenas uma coadjuvante do varão.

Movidos pelo Espírito Santo, os profetas começam a modificar esta forma de ver as coisas. O profeta Jeremias escolheu o celibato para indicar que é melhor não ter filhos que fazê-los membros de um povo corrupto. O profeta Amós diz que os homens que não produzem frutos de vida são como uma donzela que morra virgem (Am 5, 1). A esterilidade que é uma desonra e causa de maldição de Deus não é a incapacidade de procriar, mas sim a vida dos que não cultivam o amor e a fraternidade.

Mesmo que tenham muitos filhos, o ímpio e o injusto não contribuem para o bem do povo de Deus e da Humanidade. Esta esterilidade desonra o homem, pois é resultado das suas escolhas e opções egoístas e fratricidas. O homem é culpado desta esterilidade, não da outra. O juízo de Deus, dizem os profetas, é diferente do juízo dos homens.

O eunuco, diz o profeta Isaías, se tiver uma vida cheia de obras boas pode considerar-se uma árvore fecunda e, portanto, abençoada por Deus. Não tem razões para se considerar um lenho seco, isto é, um ramo sem frutos (Is 56, 3b). Se for fiel à Aliança de Deus, o eunuco terá um monumento e um nome muito mais duradouro que os filhos que por hipótese tivesse deixado. O profeta Isaías diz ainda que o nome do eunuco foi fiel à aliança de Deus não se apagará jamais (Is 56, 4-5).

O livro da Sabedoria diz que vale mais a vida justa de uma pessoa sem filhos, do que ser injusto e ter uma prole numerosa. A memória desta pessoa será imortal, apesar de não ter deixado filhos (Sab 4, 1). Os ímpios, mesmo que tenham muitos filhos não serão recordados com gratidão por ninguém, pois não contribuíram para o bem da Humanidade (Sab 4, 3).

Os filhos são um bem para a Humanidade na medida em que são dons de amor, isto é, seres bem amados, isto é, seres capazes de ajudar a edificar o Homem tal como Deus o sonhou. Os filhos que nascem de um contexto de desamor, no dia do juízo, acusarão aqueles que os geraram, diz o livro da Sabedoria (Sab 4, 6). Por outro lado, os eunucos que fizeram o bem durante a vida terão uma parte honrosa na morada de Deus (Sab 3, 14).

Do mesmo modo, a esterilidade da mulher não é castigo de Deus nem razão para qualquer desonra. A mulher estéril que segue os caminhos de Deus será bem-aventurada. No dia do juízo, encontrar-se-á cheia de frutos. A fecundidade das mulheres estéreis está na qualidade das suas obras (Sab 3, 13).

Como vemos, o conceito de fecundidade vai-se espiritualizando e tornando mais que uma mera questão de procriação. O profeta Isaías diz que a mulher estéril que viveu a Aliança de Deus terá uma prole mais numerosa do que a mulher que procriou (Is 54, 1-4). O seu esposo destas mulheres é Jahvé o qual é sempre fiel (Is 54, 5-7). A mulher estéril, diz o Livro da Sabedoria, pode ser profundamente fecunda (Sab 3, 12-13).

Por outras palavras, a fecundidade que Deus ama são as atitudes que geram fraternidade, paz, alegria, justiça, misericórdia. Não é por acaso que os Actos dos Apóstolos diz que o primeiro pagão a ser convertido foi um eunuco, o superintendente da rainha Candace da Etiópia: “O Anjo do Senhor falou a Filipe e disse-lhe: “põe-te a caminho e dirige-te para o Sul, pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza, a qual se encontra deserta”. Filipe pôs-se a caminho e foi para lá. Ora, um etíope, eunuco e alto funcionário da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus tesouros, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém, regressava, na mesma altura, sentado no seu carro, a ler o profeta Isaías (…).

Partindo desta passagem da Escritura, Filipe anunciou-lhe a Boa Nova de Jesus. Pelo caminho encontraram uma nascente de água e o eunuco disse: “Está ali uma nascente de água! Que me impede de ser baptizado? Filipe respondeu: “Se acreditas de todo o coração, isso é possível”. O eunuco respondeu: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” e mandou parar o carro. Filipe e o eunuco desceram à água e Filipe baptizou-o” (Act 8, 26-38).

A opção celibatária de Jesus insere-se, naturalmente, nesta perspectiva teológica. Já não nos será difícil entender a razão pela qual Jesus Cristo optou pelo celibato. O evangelho de São João diz que ele é a fonte de uma nova fecundidade que faz de nós filhos de Deus: “Mas a quantos o receberam, aos que crêem nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram dos laços do sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas de Deus. E o Verbo fez-se homem e habitou entre nós” (Jo 1, 12-14).

Segundo os ensinamentos de Jesus, a vida fecunda é um apelo que Deus nos faz todos os dias. A fecundidade amorosa não está limitada aos períodos fecundos da procriação. Pelo contrário é um deve de todos os dias. Eis o significado do ensinamento da figueira chamada a dar figos durante todo o ano (Mt 21, 18-20; 7, 15-20). O profeta Jeremias dizia que a esterilidade de vida será punida por Deus (Jer 6, 14-15; 6, 26; 7, 11; 7, 25).

Segundo os critérios do Novo Testamento a fecundidade de uma vida mede-se pelo bem que a pessoa faz e não pelo número de filhos que se tem. Há mesmo homens e mulheres que permanecem celibatários para serem mais fecundos, dizem os evangelhos e Paulo (Mt 19, 12ss; 1Cor 7, 7-8; 2Cor 6, 6; 1Tim 4, 12).

Jesus veio inaugurar a família de Deus. Esta não é constituída pelos laços do sangue, mas sim pelos laços do Espírito Santo. O homem nasce para a Família do Reino de Deus através de um novo nascimento, o qual acontece pelo Espírito Santo (Jo 3, 6). Para o novo Testamento é mais fecundo quem ama mais. É pelo amor que os seres humanos serão julgados (Mt 25, 31-46). Segundo estes critérios, o maior mal que pode acontecer ao homem é tornar-se estéril. A esterilidade, nesta perspectiva, é uma opção da pessoa humana. Acontece pela decisão de enterrar os talentos que Deus nos concedeu através dos outros (Mt 25, 14-30).



b) Sentido Cristão do Celibato

1 - Sexualidade e Relações Humanas

A constituição morfológica e fisiológica do nosso corpo está talhada para uma interacção sexual. Podemos dizer a mesma coisa da nossa vida psíquica. A sexualidade é um instinto vital que marca os indivíduos até ao nível genético. Somos portadores de cromossomas sexuais. Somos seres sexualmente entretecidos, tanto a nível biológico como psíquico. Estamos talhados para a relação, para o face a face amoroso. Ninguém vê directamente o seu próprio rosto. Apenas vemos de modo directo o rosto dos outros.

Devido à presença envolvente da sexualidade, as nossas relações são todas sexuadas. Não devemos confundir este termo com relações sexuais ou genitais. Dizer que as nossas relações são sexuadas significa que é como seres sexuados que nos relacionamos com os outros. A sexualidade confere às nossas relações o carácter da diferença. Isto a todos os níveis: relações sociais, profissionais, desportivas, culturais ou as relações entre pais e filhos. Diferença, aqui, não quer dizer melhor ou pior. Significa que reagimos de modo diferente consoante nos relacionemos com pessoas da nossa condição sexual ou de condição sexual diferente.

É importante termos consciência deste facto, a fim de vivermos as nossas relações de modo consciente e sem tabus ou sentimentos de culpa. Foi Deus que nos quis assim. Devemos aceitar esse facto e orientar a nossa afectividade no sentido do amor e da comunhão fraterna. De facto, a nível humano, a sexualidade atinge a sua perfeição no amor. Relações sexuais sem amor reduzem o outro a mero objecto de prazer. Procriar sem amor é pecado.


2 - Significado de uma opção celibatária

Nascemos para renascer. A pessoa humana não nasce acabada. Somos chamados a realizarmo-nos a partir de um leque de possibilidades que recebemos. Começámos por ser o que os outros fizeram de nós: Os evangelhos dizem que uns recebem cinco talentos, outros três, dois, ou um. Ninguém é culpado por ter recebido um. Também ninguém é herói por ter recebido cinco (Mt 25, 14-30; Lc 19, 12-27).

O importante é o modo como nos realizamos com os talentos que recebemos dos demais. A pessoa não é igual aos talentos que recebeu, mas sim aos que realiza. O homem realiza-se, realizando; faz-se, fazendo. Por isso somos julgados por termos ou não feito render os talentos. Uma pessoa é fecunda na medida em que gera vida humana. Não é o número de filhos que torna uma vida fecunda, mas a densidade de amor com que esses filhos foram acolhidos e preparados para a vida. Isto só pode acontecer através de uma história de amor, o que é muito mais que o mero acto de procriar. A fecundidade de uma pessoa mede-se, portanto, em termos de humanização. Uma vida será tanto mais fecunda quanto mais for agente de humanização para si e para o outros.

Quantas crianças procriadas sem amor! Muitas destas, porém, foram acolhidas e bem amadas. Hoje são homens e mulheres felizes e realizados. Os pais humanos destas pessoas são os que as acolheram e amaram, possibilitando-as para uma vida feliz. De facto, ninguém é capaz de amar antes de ser amado. O mal amado ama mal, isto é, com condicionamentos e bloqueios. É vítima, não culpado. De qualquer modo recebeu condicionamentos que limitam a sua realização. Em termos evangélicos, o pior mal que pode acontecer a uma pessoa é ser estéril, isto é, não dar frutos de humanização. É culpavelmente estéril a pessoa que se recusa a amar. É a figueira estéril que não tomar parte no pomar da vida (Mt 21, 19-20; Mc 11, 13-20; Lc 13, 6-7).

A virgindade ou celibato por amor do Evangelho é um dom que Deus concede a algumas pessoas. Deus não pede uma opção deste tipo a todos os crentes. A pessoa que faz esta opção deve sentir que está a escolher o melhor para si. Ao agir assim, a pessoa sente que esta é a maneira de ter uma vida mais fecunda.

O celibatário sabe que fez a melhor escolha para si, mas não pretende impô-la aos outros. Os carismas são diferentes e acontecem segundo a originalidade de cada pessoa. Não somos seres feitos em série. Cada pessoa é única, original e irrepetível. Uma pessoa a quem tenha sido dado o dom de se consagrar à causa do Evangelho de modo celibatário será menos fecunda se optar doutro modo.

Não está a ser plenamente fiel aos seus talentos. Mas seria completamente errado pensar que a opção pelo celibato, só por si, é superior à opção pelo matrimónio. Neste aspecto, a pessoa deve optar segundo sente ser o melhor para si. Será este o modo de ter uma vida mais fecunda e, portanto, atingir uma realização mais plena e ser mediação de realização para os outros. A parábola das virgens insensatas diz que estas não entraram no Reino de Deus (Mt 25, 1-13). Na Igreja há uma grande diversidade de dons ou carismas. Aquilo que é a melhor opção para uma pessoa pode não o ser para outra.

O celibatário que opta assim para se consagrar ao Reino de Deus não é um desenraizado em termos familiares. Ele deve empenhar-se seriamente na edificação da Família de Deus, sabendo que esta não assenta nos laços da carne e do sangue, mas sim nos laços do Espírito Santo: “Todos os que são movidos pelo espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão, mas o Espírito de adopção graças ao qual chamais “Abba”, papá. Se sois filhos sois igualmente herdeiros. Herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8, 14-16).

Se o celibato é vivido em função do Reino de Deus, a sua vida será muito fecunda em termos de edificar família. A fecundidade espiritual, na história, é muito mais duradoira que a fecundidade procriadora: Cristo, São Bento, Santa Clara, São Francisco, Madre Teresa de Calcutá e tantos outros fundadores de famílias espirituais cuja fecundidade se prolonga pelos séculos fora. Estas pessoas, apesar de não terem procriado, deixaram na história uma multidão de filhos e filhas que prolongam a sua obra pelos séculos fora.

A opção celibatária adquire um sentido muito especial na consagração religiosa. O religioso está chamado a viver em comunidade. A construção da comunidade é a edificação da família de Deus, a qual não assenta na carne e no sangue mas no Espírito Santo: “Mas aos que receberam Cristo, aos que crêem nele, deu-lhes o poder se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram dos laços do sangue ou do impulso da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1, 12-13).

Deus é a primeira realidade familiar. Ainda antes de existir o Universo já existia uma comunhão familiar de três pessoas. Esta é a nossa vocação fundamental: ser membros da família de Deus (Ga 4, 4-7). Para pertencermos à Família de Deus temos de nascer de novo mediante o Espírito Santo, diz o evangelho de João (Jo 3, 6). Vista nesta óptica, a vocação religiosa completa a linguagem sacramental do matrimónio. As pessoas que casam estão chamadas a edificar uma família humana cuja plenitude acontecerá na incorporação do Reino de Deus que é a Família Divina.

A vida religiosa proclama que a família de Deus assenta, não nos vínculos da carne e do sangue, mas nos laços do Espírito Santo: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8, 21). A esta luz torna-se claro que a paternidade e a maternidade humana são mediações da paternidade e maternidade divina.

No Céu já não existem laços de sangue. Na plenitude da ressurreição os seres humanos são totalmente pneumáticos, isto é, “como os anjos de Deus” (Lc 21, 34-36). Na medida em que as famílias se abram à acção do Espírito Santo começarão a abrir-se à comunhão para lá dos laços do sangue. O Espírito Santo abre o nosso coração à fraternidade, condição para sermos filhos do Pai do Céu. Do mesmo modo, Na medida em que as comunidades religiosas se abram ao Espírito Santo, tenderão a constituir-se cada vez mais como famílias que cujos vínculos assentam nos laços do Espírito Santo.

A Catequese, a Fé e o Sentido da Vida




a)A Menina Que Descobriu o Mistério de Deus
1-A Descoberta da Ana Patrícia
2-O Diálogo da Santíssima Trindade
3-A Missão das Pessoas Divinas
4-Os Pais Humanos São Um Dom de Deus

b)Um Modo Desumano de Fazer Catequese

c)Quando a Fé dá Sabor à Vida

d)Descobrir a Humanidade e a Divindade de Cristo
1-A Divindade do Filho Eterno do Pai
2-A Fidelidade de Cristo à Vontade do Pai
3-Humanidade de Jesus e Salvação
4-Cristo é Homem Connosco e Deus com o Pai

e)Quando a Vida Fica Sem Sentido



a) A Menina Que Descobriu o Mistério de Deus

1- A Descoberta da Ana Patrícia

A Ana Patrícia tinha sete anos quando fez uma descoberta muito bonita na catequese. Naquele dia, a Ana Patrícia estava desejosa de chegar a casa para contar à mãe a descoberta que tinha feito. A mãe apercebeu-se de que ela tinha algo de importante para lhe comunicar e por isso, antecipando-se, perguntou-lhe: “Sinto que tens algo de importante e muito bonito para me dizer. Queres contar-me agora?”.

Satisfeita por ver a mãe disponível para a escutar, a Ana Patrícia começou, então, a descrever a sua descoberta: Eu já sabia que todas as crianças têm um pai e uma mãe. Eu também sabia que os pais da Rita são uns e os pais do Miguel são outros. Também sabia que as pessoas que têm os mesmos pais são irmãos. Também já sabia, acrescentou a Ana Patrícia, que os nossos pais e os nossos avós tiveram os seus pais. Eu já tinha aprendido que Adão e Eva foram os primeiros pais humanos.

Mas hoje descobri uma coisa nova muito importante: há um Pai que é pai de todos os pais, de todos os avós e bisavós e que foi o pai de Adão e Eva. Hoje descobri que Deus é uma família de três pessoas e que nós pertencemos todos à mesma Família de Deus. Isto quer dizer que a mãe e o pai também são filhos de Deus e que, no céu, nós seremos todos irmãos.

2- O Diálogo da Santíssima Trindade

A mãe da Ana Patrícia aproveitou a oportunidade para lhe explicar este mistério de sermos todos membros da Família de Deus e disse-lhe: “Acabaste de fazer uma descoberta muito importante. De facto, Deus é uma família de três pessoas cujos nomes são: Pai, Filho e Espírito Santo.

Uma vez, continuou a mãe da Ana Patrícia, as pessoas divinas combinaram um plano muito bonito para todos nós. Foi assim: Deus Pai, falando com o seu Filho e o Espírito Santo disse-lhes: “Vamos criar os seres humanos à nossa imagem e semelhança e vamos fazer deles membros da nossa família. Eu vou ser um Pai para todos eles.”

Depois, o Filho de Deus acrescentou: “Uma vez que tu és meu Pai, então eles vão ser meus irmãos”. Depois, Deus Pai confirmou e disse: “fazes-te um deles pela Encarnação e assim tornas-te o primogénito, isto é, o primeiro de muitos irmãos (cf. Rm 8, 29). Depois Deus Pai acrescentou: “Eu acho que o Espírito Santo também tem algo de importante para dizer.

O Espírito Santo é a ternura maternal de Deus. Na verdade, o seu jeito de amar é como o de uma mãe infinitamente boa. Como sabemos os meninos e as meninas entram nas famílias humanas, através das mães. Por outras palavras, é pela ternura maternal que os filhos entram nas famílias humanas, diz o Espírito Santo. Como eu sou a ternura maternal de Deus, deve ser por mim, diz o Espírito Santo, que os seres humanos devem ser introduzidos na Família de Deus. Na verdade, São Paulo diz que os seres humanos que se deixam conduzir pelo Espírito Santo são filhos de Deus Pai e irmãos do Filho de Deu (Rm 8, 14.17).


3- A Missão das Pessoas Divinas

Em seguida, Deus Pai disse ao Espírito Santo: Tu passas a ser o amor de Deus derramado no coração dos seres humanos (cf. Rm 5,5). E o Filho de Deus acrescentou: “Se eu entro na família humana pela encarnação, então a encarnação vai acontecer pelo Espírito Santo, pois ele é a ternura maternal de Deus”. “Depois de encarnar, já posso comunicar aos seres humanos a força do Espírito Santo, dando-lhes assim o poder de se tornarem filhos de Deus.

O poder de nos tornarmos filhos de Deus, diz o evangelho de São João, é-nos dado por Cristo ao encarnar. Este poder não nos é dado pela vontade do Homem, nem por decisão da carne, mas sim pela vontade do Pai do Céu que nos envia o seu Filho e o Espírito Santo” (cf. Jo 1, 12-14).

Depois o Espírito Santo aproveitou para dar algumas sugestões. O Espírito Santo tem um jeito especial para dar sugestões bonitas e boas para a Humanidade. Tomando a Palavra, disse: “O Filho de Deus, ao encarnar, abre as portas da família de Deus a os seres humanos. Para completarmos esta obra de amor e salvação, tu que passas a ser o Pai de todos, podias derramar o teu amor de pai bondoso no coração dos pais humanos, a fim de estes amarem muito os seus filhos”.

Deus Pai gostou muito das palavras do Espírito Santo e disse: “Muito bem: Eu vou meter no coração dos pais o meu jeito de amar, a fim de os seus filhos, que também já são meus filhos, sejam pessoas muito felizes”. Depois o Espírito Santo acrescentou: “E como eu amo com ternura maternal, vou introduzir o meu jeito maternal de amar na coração das mães, a fim de os filhos dos seres humanos serem pessoas bem-amadas. Vou começar por fazer isto no coração de Maria, a mãe do Filho de Deus, a fim de ela amar o seu Filho com o próprio jeito de amar do Espírito Santo”.


4- Os Pais Humanos São Um Dom de Deus

E Maria, a mãe de Jesus, amou de facto o seu Filho com a ternura especial do Espírito Santo. Foi por esta razão que Maria ficou cheia do Espírito Santo no momento em que o anjo lhe anunciou que ela ia ser a mãe do Filho de Deus.

Eis as palavras que o anjo disse a Maria nesse momento em que lhe anunciou o grande dom que Deus lhe ia conceder: “O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré. O anjo tinha a missão de comunicar uma mensagem a uma jovem desposada com um homem da casa de David cujo nome era José. Ao entrar na casa de Maria, o anjo disse-lhe: “Avé Maria, cheia de graça. O Senhor Deus está contigo” Ao ouvir aquela voz, Maria ficou perturbada, pois não entendia o sentido daquelas palavras.

Então o anjo disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, pois Deus vai favorecer-te. Vais conceber um filho no teu seio um filho ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á filho do Altíssimo (…). Depois o anjo acrescentou: “O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá o seu poder sobre ti. Por isso é que o Menino que vai nascer de ti, acrescentou o anjo, será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 26-35).

Graças à explicação da sua mãe, a Ana Patrícia compreendeu que Deus nos ama a todos como membros da sua Família: Deus Pai é pai de todos nós. Graças a isso somos todos irmãos uns dos outros e Jesus Cristo, como é o Filho de Deus, é também nosso irmão. No nosso coração habita a ternura do Espírito Santo que nos conduz ao Pai. Nesse momento, Deus Pai acolhe-nos como filhos e dá-nos um beijo.

Os pais que amam muito os seus filhos são um dom muito especial de Deus pai para os seus filhos. Nesse dia, a Ana Patrícia aprendeu que é o Espírito Santo que no nosso coração nos ensina a dizer “Abba” isto é, Papá. Compreendeu também que é Deus Pai que prepara o coração dos nossos pais, a fim de eles nos amarem com o próprio jeito de Deus.

b) Um Modo Desumano de fazer Catequese

Aquela mulher parecia uma estátua de granito. Jamais revelou os seus sentimentos. Na catequese transmitiram-lhe a noção de um deus castrador e inimigo da felicidade humana. Em si mesmo, Deus era um ser triste, pois sofria constantemente por causa dos pecados humanos. Como associava a sexualidade a pecado, esta mulher nunca casou. As pessoas que viviam com ela nunca sabiam se ela sofria ou estava feliz.

Como sofria por causa dos pecados humanos, Deus enviou o seu Filho ao mundo, a fim de ser desagravado por ele. O sofrimento do Filho de Deus foi decidido por Deus seu Pai, a fim poder perdoar os pecados dos seres humanos. Deus é um ser sempre faminto de sofrimentos, pois só o sofrimento dos seres humanos pode aplicar a justiça punitiva de Deus.

Na medida que haja seres humanos a sofrer, Deus vai concedendo alguns dons aos homens. Por outras palavras, Deus oferece dons aos seres humanos em troca de sofrimentos. Por isso Deus escolhe seres humanos a quem confere a missa especial de sofrerem muito, a fim de aplacarem a justiça de Deus. As doenças, dizia ela, são mimos de Deus. A pessoa que mais sofre mais amada é de Deus.

Estava constantemente a tentar incutir sentimentos de culpa nas pessoas que a rodeavam. Quando podia traumatizava crianças com imagens terríficas do Inferno com fogo a arder e diabos, de forquilha na mão, a empurrar as almas bem para o centro do fogo. Os prazeres mais legítimos e inocentes eram para ela obras do pecado e a principal causa da ira de Deus. O seu rosto de pedra fria nunca permitiu tirar conclusões sobre os seus estados de espírito. Esforçava-se constantemente por incutir nas pessoas sentimentos de culpa e medo do deus perverso que a sua catequista conseguiu gravar na sua mente.

Na verdade, a imagem que uma pessoa tem de Deus depende daqueles que lhes comunicaram os dados da fé. Isto permite-nos concluir que as pessoas que educaram e comunicaram a fé a esta mulher acabaram por roubar-lhe o direito de se humanizar e ser feliz. É por esta razão que aquela mulher nunca ri espontaneamente. As risadas não agradam a Deus, repetia ela sempre que via as pessoas sorrir e seres felizes.

Certa noite em que não conseguiu dormir devido a cólicas que a atormentaram esta mulher não se levantou como de costume para ir à missa. Nesse dia, a meio da manhã, escorregou e provocou uma rotura muscular. Tirou imediatamente a ilação: isto foi castigo de Deus pois esta manhã não fui à missa.

O deus que esta mulher tinha gravado na sua mente é uma falsa divindade, um tirano e um castrador que nada tem a ver com o Deus de Jesus Cristo. O rosto e a história desta mulher são realidades tristes e sem encanto. Na verdade trata-se de uma mulher mutilada que ficou incapaz de comunicar ternura, mesmo que se trate de uma criança.

Para ela, as crianças são um terreno privilegiado para semear o medo de Deus e do fogo terrível do inferno. É incapaz elogiar uma pessoa. Esse procedimento é ir contra a vontade de Deus que quer que as pessoas sofram. Como tem tido muitos problemas de saúde, diz frequentemente que Deus a escolheu como predilecta, pois é graças aos sofrimentos dos seus predilectos que Deus vai perdoando aos pecadores.

Podemos dizer que o deus daquela mulher é a projecção do que de pior existe no coração e na mente dos seres humanos. O coração desta mulher ficou mirrado por falta de ternura. A sua história triste e fria é o retrato do Deus que lhe incutiram na catequese distorcida que recebeu. Ela costumava dizer que a sua catequista lhe ensinara a fazer muitas penitências, a fim de suavizarmos os sofrimentos de Deus. As pessoas que não se martirizam, dizia-lhe a catequista, vão para o inferno, pois não aliviam os sofrimentos de Deus. Quando o ser humano deforma o rosto de Deus, a realidade do Homem é também distorcida.

Todas as manhãs, à mesma hora de sempre, as pessoas viam passar esta mulher sem sentimentos para a missa. Depois, ao terminar a missa, lá ia ela para o mercado. O seu aspecto era o de uma mulher que não teve o privilégio de saborear as alegrias da vida. As energias que podiam ter tornado a sua vida gostosa mediante gestos de ternura e comunhão amorosa, foram gastas em asceses estéreis e doentias.

É dramático verificarmos como se pode distorcer a verdade da vida em nome de uma falsa divindade. Esta mulher foi mais vítima que culpada. Outros a castraram, impedindo-a de dar frutos de ternura e comunhão. Depois de muitos anos de vida dura, morreu tal como viveu: sem exprimir o mais pequeno sentimento ou emoção. O deus perverso em que aquela mulher acreditava não fez bem a ninguém. Nem mesmo a ela própria. Ninguém lhe agradeceu os sacrifícios que fez, pois não conduziram ao amor nem à fraternidade.


c) Quando a Fé dá Sabor à Vida

Certo dia o Pedro perguntou à Joana: “Qual é o segredo para estares todos os dias tão serena, alegre e feliz? Nota-se que levas no teu íntimo uma força capaz de transportar o mundo sobre os teus ombros. Por vezes começo a olhar para ti e tenho a sensação que levas no coração um manancial inesgotável de energias! Exultas com as coisas boas que te acontecem e nunca te deixas abater pelas contrariedades e problemas. Depois o Pedro continuou: Nunca te vi abatida. O sorriso irradia, não apenas dos teus lábios, mas também dos teus olhos e do teu íntimo!”

Com os olhos a brilhar de contentamento devido às palavras do Pedro, a Joana respondeu: “Sinto dentro de mim a força da fé que está a crescer dentro de mim e que é a fonte dessa alegria de que falas! Esta fé é, na verdade, a fonte da alegria e da paz de coração!” O Pedro perguntou: Mas em quem é que acreditas para estares habitada por essa força que te dá segurança e paz?

A Joana respondeu: No princípio, quando ainda não havia estrelas e o Universo não existia. Mesmo antes que a luz tivesse sido criada, já existia a vida plena e o amor infinitamente perfeito. Antes de ter acontecido a explosão primordial que deu origem à génese do Universo, já existia uma Família constituída por três pessoas infinitamente perfeitas.

Esta comunhão familiar, continuou a Joana, é a fonte de todas as energias que existem no Universo, incluindo as energias espirituais que geram em nós a paz do coração, a alegria e a capacidade de amar. Jesus revelou-nos o rosto comunitário de Deus, ensinando-nos a chamar Pai à primeira pessoa, Filho à segunda pessoa e Espírito Santo à terceira. Podemos chamar Deus a esta comunhão familiar ou, então, Santíssima Trindade.

O mais maravilhoso de tudo isto, disse ainda a Joana, é sabermos que Deus habita no nosso coração, tornando-se em nós um manancial de Água Viva a jorrar Vida Eterna, dizia Jesus. A nascente da Água Vivia que faz jorrar a Vida Eterna, diz o evangelho de São João, é o Espírito Santo.

Podes comunicar permanentemente com ele no teu íntimo, pois nunca está longe de ti. Como o Espírito Santo é uma pessoa, podes falar com ele como um amigo fala com outro amigo. Além disso, nunca tenhas medo de o incomodar, pois ele está sempre disponível. Podes comunicar com ele a qualquer hora e em qualquer lugar: Quando viajas, ele acompanha-te. Quando sobes ao alto da montanha lá está contigo. E se mergulhares nas profundidades do Oceano, lá se encontra também, pois nunca está longe.

Quando descobri esta disponibilidade incondicional do Espírito Santo, continuou a Joana, abri-lhe o coração e a felicidade invadiu-me. Certo dia em que estava a falar com ele, senti que ele me segredava muito baixinho e com uma ternura infinita: “Divulga-me. Fala de mim aos teus amigos, a fim de eles poderem experimentar a paz de coração e serem felizes como tu! Se fizeres isto estás a ensinar aos teus companheiros e amigos o caminho seguro para a felicidade”.

Abre o teu coração a esta fonte de Água Viva, disse a Joana entusiasmada, e vais ver o que significa ser feliz! Mas toma atenção porque vais sentir um desejo enorme de falar desta maravilha a toda a gente! Quando ouvires a voz meiga do Espírito Santo compreenderás, como eu compreendi, o segredo desta alegria que me habita.

Depois a Joana concluiu dizendo algo de muito importante e verdadeiro: “Sabes, Pedro, afinal a felicidade não é uma questão de ter muitas coisas. Na verdade, o importante é ser feliz, não amontoar muitas riquezas. Uma vez li um ensinamento de São Paulo na Carta aos Gálatas, que diz o seguinte: Os frutos do Espírito Santo são: o amor, a alegria e a paz (Ga 5, 22).

Como é o amor maternal de Deus, o Espírito Santo ama-nos com uma ternura maternal infinita e capacita-nos para amar, pois ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado. Quando nos dispomos a acolher o Espírito Santo, dando-lhe atenção, tudo começa a ser diferente e muito mais bonito!

Outro fruto desta acção do Espírito Santo em nós é que começamos a ser capazes de amar aqueles que se cruzam connosco na vida. A minha felicidade depende mais do Espírito Santo do que de mim, acrescentou a Joana. Mas não nos podemos esquecer de que a felicidade, além de dom, é também uma tarefa, pois Deus não nos substitui.

Encontrar Deus é encontrar a possibilidade máxima da nossa realização e felicidade, pois a sua vontade a nosso respeito, coincide com o que é realmente melhor para nós. Se comunicamos com o Espírito Santo no nosso íntimo, podemos ter a certeza de que ao sentirmos qualquer dificuldade, se dialogarmos com ele, a solução começa a nascer na nossa mente e no nosso coração. É verdade que Deus não nos substitui, mas ilumina e sugere caminhos adequados para vencermos os obstáculos que nos dificultam a vida.

Esta experiência da presença de Deus em nós ensinou-me que a felicidade é um edifício que assenta sobre os pilares da fé, da esperança e do amor a Deus e aos irmãos. Esta experiência ensinou-me que Deus é fiel, acrescentou a Joana, pois nunca desilude aqueles que confiam nele. Pedro, partilhei contigo a experiência mais bonita que me aconteceu, a qual está também ao teu alcance. O mundo pensa que a felicidade habita fora das pessoas. Muitos pensam que ela se encontra no poder, nas riquezas ou no domínio dos outros. O Evangelho de Jesus diz que os critérios do mundo estão errados. Recorda-te sempre desta verdade, disse a Joana: Não devemos permitir que a nossa felicidade dependa dos outros. É verdade que não podemos ser felizes sem os outros. Mas nunca nos devemos esquecer que a felicidade está mais em dar do que em receber. Nós não podemos ser felizes sem os demais, mas eles não são a fonte da nossa felicidade.

Jesus tinha razão quando ensinou aos discípulos que só Deus pode encher plenamente o nosso coração. A história da Joana é um convite a olhar a vida com os critérios da fé cristã. As pessoas que tomam Deus a sério nunca ficam desiludidas nem se sentem enganadas.


d) Descobrir a Humanidade e a Divindade de Cristo

1- A Divindade do Filho Eterno do Pai

São João inicia o seu evangelho, proclamando Jesus Cristo como o Filho eterno de Deus: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus. No princípio, o Verbo estava com Deus e era Deus (Jo 1, 1-2). Deste modo, São João pretende, não apenas dizer que Jesus Cristo é o Filho de Deus, como fizeram os outros evangelhos, mas dizer igualmente que ele é Deus desde toda a eternidade. Se isto é assim, então Deus não é um sujeito eterno e infinito, mas sim uma comunhão familiar.

Por isso ele apresenta a união do Pai com o Filho em forma de uma comunhão orgânica: O Pai e o Filho fazem um (Jo 10, 30). Apesar de formar uma comunhão orgânica e dinâmica, o Pai e o Filho não se confundem. Nesta união do Pai com o Filho, o Espírito Santo tem um papel activo. Ele é princípio animador das relações e vínculo de comunhão: “Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome esse é que vos ensinará e recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26).

De tal modo o Pai e o Filho estão em perfeita harmonia que São João disse que ao olharmos o modo de Jesus agir é compreender o rosto de Deus Pai: “Há tanto tempo que estou convosco e ainda não me conheces Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que ainda me dizes: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14, 9).

Há filhos humanos que, a nível genético, são quase uma cópia do pai ou da mãe. O modo de Jesus actuar como Filho de Deus, é uma cópia perfeita do amor e do plano que Deus Pai tem para nós. Segundo o evangelho de São João, Jesus tinha perfeita consciência disto e por isso disse que ele e o Pai fazem um (Jo 10, 30).


2- A Fidelidade de Cristo à Vontade do Pai

A Vontade de Jesus Cristo e a vontade de Deus Pai estavam em total sintonia. Eis algumas expressões de Jesus que exprimem bem esta união de vontades: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4, 34). “Eu não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5, 3). E ainda: “Eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. A vontade de meu Pai é que aqueles que vêem o Filho e acreditam nele tenham a vida eterna” (Jo 6, 38-40).

O Filho de Deus existe desde toda a eternidade. Veio ao mundo para realizar a divinização da Humanidade, dando-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1, 12-14). Por seu lado, o Pai entrega a obra da salvação nas mãos do Filho, pois o querer do Pai e o querer do Filho estão em plena concordância: “O Pai não julga ninguém, mas entregou ao Filho o poder de julgar, a fim de os homens honrarem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho também não honra o Pai, pois o filho foi enviado pelo Pai” (Jo. 5, 22- 23). Com efeito, acrescenta Jesus, o pai ama o filho e colocou todas as coisas nas suas mãos” (Jo 3, 35).

A fé no Filho, portanto, é uma componente fundamental da própria fé no Pai: “Aquele que acredita em mim, não só acredita em mim, mas também naquele que me enviou” (Jo 12, 44). “E aquele que me enviou está comigo e em mim. Com efeito, o Pai não me deixou sozinho, pois eu faço constantemente as coisas que lhe agradam” (Jo 8, 29).

Eis a razão pela qual o Senhor Ressuscitado se considera irmão dos homens: “Eu subo para junto do meu Pai e vosso Pai; para o meu Deus e vosso Deus” (Jo 20, 17). Este texto é muito significativo, pois demonstra que João, apesar de insistir constantemente que Jesus Cristo é Deus com o Pai, não ignora que ele é também homem connosco.

3- Humanidade de Jesus e Salvação

E é pelo facto de ele ser homem connosco que nós estamos salvos. De facto, nós somos incorporados na família de Deus, não como seres isolados, mas na medida em que formamos uma união com Cristo. Estamos em dinâmica de salvação na medida em que estamos organicamente unidos a Jesus Cristo.

Trata-se de uma união semelhante à união que existe entre os ramos e a cepa da videira. A seiva, isto é, o Espírito Santo, vem da cepa para os ramos, tornando-os fecundos. Como ramos da videira, nós temos de estar sempre unidos à cepa. Sem esta união nós não podemos dar qualquer fruto, pois sem Cristo nada podemos fazer (Jo 15, 4-6).

Com seu jeito maternal de amar, o Espírito Santo vai-nos incorporando na Família de Deus, conduzindo-nos ao Pai que nos acolhe como filhos e ao Filho que nos acolhe como irmãos (Rm 8, 14-16). São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

João começa o seu evangelho afirmando que Cristo é a Palavra, isto é, a verdade. A Bíblia diz que a Palavra de Deus é eficaz, ou seja, realiza sempre o que significa. O Filho vem como Palavra, isto é, proclamação do amor salvador de Deus por nós. Eis a razão pela qual o Verbo Encarnou e habitou entre nós, dando-nos o poder de nos tornarmos filhos de Deus (Jo 1,12-14).

Depois de ter realizado a sua missão o Filho volta para junto do Pai, a fim de nos introduzir na Família Divina: “Eu saí do Pai e vim para o mundo. Agora deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16, 28). Depois acrescenta: “Nesse dia compreendereis que eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 20). Quem via o modo de actuar do Filho estava a ver o próprio jeito do Pai nos amar. Quem me vê, disse Jesus a Filipe, vê o Pai (Jo 14, 9).

Tomé, no evangelho de São João, chama Deus a Jesus ressuscitado. Depois de ver o Senhor, Tomé declara: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20, 28). Além disso, o próprio Jesus se declara Deus, usando a mesma expressão que Yahvé usou no Monte Sinai: “Agora digo-vos estas coisas antes que aconteçam, a fim de que, quando elas acontecerem, acrediteis que eu sou” (Jo 13, 19). Por outro lado, como é um homem em tudo igual a nós, excepto no pecado, Jesus reconhece que vai para junto do seu Pai e nosso Pai, do seu Deus e nosso Deus” (Jo 20, 17).


4- Cristo é Homem Connosco e Deus com o Pai

Devido à sua condição divina, o Filho é igual ao Pai. Mas devido à sua condição de homem, o Pai é maior do que o Filho: “Ouvistes o que eu vos disse: “Eu vou mas voltarei para vós”. Se me tivésseis amor, devíeis alegrar-vos por eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que eu” (Jo 14, 28).

O evangelho de São João diz que os judeus, ao notarem que Jesus se fazia igual a Deus, ficaram furiosos e decidiram matá-lo: “Devido ao facto de Jesus realizar estes prodígios em dia de sábado, os judeus começaram a perseguí-lo. Em resposta, Jesus disse-lhes: “O meu Pai continua a realizar obras até agora, e eu também continuo!” Perante tais afirmações, mais cresceu neles o desejo de o matarem, pois não só anulava o sábado, como chamava a Deus seu Pai, fazendo-se, deste modo, igual a Deus” (Jo 5, 16-18).

Podemos dizer que a compreensão de Cristo como Filho Eterno de Deus não foi o ponto de partida, mas sim o ponto de chegada da caminhada da revelação. Com efeito, compreender o mistério de Cristo com este alcance supõe um salto de qualidade enorme, muito além do que os judeus podiam esperar do Messias.

Na verdade, reconhecer que Cristo é o Filho eterno de Deus implica afirmar que Deus não é apenas o Yahvé do Antigo testamento, mas sim uma comunidade familiar: “Não acreditais que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não são ditas por minha própria iniciativa. O Pai que habita em mim é que faz as obras. Acreditai que eu estou no Pai e o Pai está em mim. Pelo menos acreditai por causa das minhas obras” (Jo 14, 10-11).

A fidelidade incondicional de Jesus à missão que Deus lhe confiou é, pois, a fonte da Salvação para a Humanidade. Eis a razão pela qual ele procurava fazer as coisas tal como o Pai lhe mandou: “Pois eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me comunicou o que devo dizer. E eu sei que o seu mandamento traz consigo a vida Eterna. Eis a razão pela qual eu digo exactamente o que o Pai me disse para dizer” (12, 49-50).

Por fazer um com o Pai, o Filho é igualmente fonte de vida: “Assim como o Pai tem vida por si mesmo, também o Filho tem vida em si mesmo” (Jo 5, 26). Jesus diz isto de modo mais explícito quando afirma: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenho morrido, viverá. Todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre” (Jo 11, 25-26).


e) Quando a Vida Fica Sem Sentido

Chamavam-lhe a Isabel do Outeiro. Caminhava sozinha e sempre vestida de preto. Chegava, abria a porta da casa escura e fria e, com um olhar furtivo, espreitava para dentro da daquela casa sem vida. Em seguida saía, fechava a porta e voltava pelo mesmo caminho que percorrera para chegar ali. Todos os dias, à mesma hora, a Isabel repete aquele ritual. Age como quem deseja encontrar alguém que não encontra ou realizar algo que não é possível realizar.

Ficou viúva três anos depois de casar. Ficou com um filho encantador, ao qual dedicou toda a sua vida. O rapaz estava a ficar um homem. A Isabel projectava neste filho um sem número de ilusões. Estava prestes a completar dezoito anos. A Isabel vivia com o filho na casa onde vivera com o marido. O filho ajudou-a em grande parte a superar o drama da viuvez.

Mas eis que de repente, numa noite escura triste, tudo se alterou: um acidente brutal vitima a vida do seu filho. A Isabel ficou sem razões para viver. Deixou a casa onde viveu com o marido e o filho e foi para casa dos seus pais. Após o funeral do seu filho, a porta daquela casa enlutada fechou-se. Agora, abre-se de modo ritual todos os dias e à mesma hora.

Todas as tardes, ao sair do trabalho, a Isabel vai à sua casa: abre a porta, espreita para dentro da casa e escuta uns momentos. Depois, fecha a porta e vai-se pensativa, triste com um olhar vago e triste. Ao realizar o ritual obsessivo compulsivo, a Isabel como que pretende encontrar aqueles que eram a sua razão de viver e lhe faltaram para sempre.

Não conseguiu integrar na sua história pessoal o drama terrível da perda daqueles que mais amava. Recusa-se a ouvir conselhos ou aceitar consolações e conforto de alguém. Gasta-se a trabalhar e a cuidar dos pais já muito idosos. Viver ou morrer, diz ela à mãe, é-lhe indiferente. Depois acrescenta: “A vida é demasiado dura para ser amada”.

Quando caminha de olhar vago e indiferente para as pessoas que se cruzam com ela, a Isabel gosta de ir até ao cais. Aí, senta-se silenciosa e triste. Parece a viúva de um pescador cujo barco se afundou com o marido e o filho. É como se continuasse teimosamente a aguardar a chegada do marido e do filho no barco que se vislumbra no horizonte.

Passados cerca de vinte minutos, a Isabel levanta-se e volta para a casa dos seus pais. Acontece-lhe frequentemente parar e olhar para um jovem com o qual se cruzou e que, de repente, lhe deu a sensação de ser o seu filho. Depois segue profundamente magoada com a vida. Por vezes suspira fundo e grita: porquê? A Isabel não teve a sorte de encontrar alguém que lhe comunicasse o dom da fé. A luz da fé ajuda a dar sentido aos acontecimentos, capacitando a pessoa para os saber integrar na sua vida.