Participar na Ressurreição de Cristo


A nossa Fé garante-nos que Cristo ressuscitou
e todos nós tomaremos parte na sua vitória sobre a morte.
São João diz que Jesus, ao ressuscitar,
nos vai dar a Água da Vida Eterna, isto é, o Espírito Santo,
graças ao qual a Vida Eterna passará a fluir no nosso coração (Jo 7,37-39).

Graças à nossa união orgânica com Cristo, diz São Paulo,
nós formamos um corpo, do qual Cristo é a Cabeça:
“Assim como o corpo é um, apesar de ter muitos membros, assim também Jesus Cristo.
De facto, nós fomos baptizados num só Espírito,
a fim de formarmos um só corpo, tanto os judeus como os gregos,
os escravos ou homens livres.
Todos nós bebemos de um só Espírito (1 Cor 12, 12-13).

Recorrendo à imagem do Paraíso primitivo,
São João sugere que Jesus Cristo é a Árvore da Vida
que estava no centro do Paraíso cujo fruto nos dá a Vida Eterna.
Querendo afirmar que o Homem foi criado para a Vida Eterna
e não para terminar na morte,
o Livro do Génesis diz que, no centro do Paraíso, estava a Árvore da Vida Eterna.
Depois acrescenta que, devido ao pecado de Adão,
o Paraíso foi fechado para Humanidade (Gn 3, 22).

Ao sugerir que Cristo ressuscitado é a Árvore da Vida,
São João diz que o fruto desta Árvore é o Espírito Santo (Jo 7, 37-39).
As pessoas que se alimentam deste fruto têm a Vida Eterna:
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna e eu hei-de ressuscitá-lo no último dia (…).
Com efeito, quem come a minha carne e bebe o meu sangue
fica a morar em mim e eu nele” (Jo 6, 54-56).

Como vemos, o ser humano ressuscita
na medida em que está unido a Cristo.
Não devemos confundir ressurreição com simples imortalidade.
A pessoa humana, devido à sua condição de ser pessoal-espiritual, é imortal.
A ressurreição implica ser vivificado pelo Espírito Santo
que é o sangue da Nova Aliança, o qual vivifica todo o corpo de Cristo.

O coração do Evangelho é a Boa Notícia da nossa ressurreição em Cristo
e não o mero anúncio da imortalidade da alma.
É verdade que só ressuscita o que em nós é imortal.

Mas a simples imortalidade não dá acesso à ressurreição em Cristo,
a qual implica a nosso incorporação na Comunhão Familiar da Santíssima Trindade.
A ressurreição com Cristo implica a assunção,
isto é, a plena incorporação da pessoa na Comunhão Familiar da Santíssima Trindade.

Podemos dizer que a nossa existência tem sentido
na medida em que vivemos para amar e vamos morrendo por amor
ou seja, gastando a nossa vida pelas causas do amor.
À luz do amor incondicional de Cristo podemos dizer que o amor
é uma dinâmica de bem-querer que vale tanto para viver como para morrer.

A ressurreição de Cristo é a garantia
de que a meta para a qual estamos a caminhar não é o vazio da morte,
mas a Vida Eterna com Cristo ressuscitado.
A Carta aos Romanos diz que assim como a morte veio por Adão,
a vitória sobre a morte veio por Jesus Cristo, o Novo Adão (Rm 5, 18).

Com o aparecimento da Humanidade, surgiu no Universo
a densidade da vida pessoal-espiritual.
A Criação atingiu a possibilidade de comungar com o Criador.
Só não participa na plenitude da Vida Eterna a pessoa que se estrutura
de modo sistemático e incondicional contra o amor, ficando reduzida a si.

São Paulo diz que estamos talhados para a Comunhão Universal da Família de Deus:
Ao criar-nos, Deus predestinou-nos para sermos conformes com o Seu Filho,
a fim deste ser o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 28-29).

Trindade Santa,
Nós vos louvamos por serdes um Comunhão Familiar Amorosa
e nos criardes com a possibilidade de sermos divinizados
mediante a nossa incorporação na vossa Família.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


Saboreando o Sentido da Páscoa


Era uma noite escura, embora serena e calma. No dia anterior, Deus tinha dito a Moisés que queria libertar o seu povo, pois este estava a sofrer o tormento de uma escravidão humilhante. O povo de Moisés também se chamava o povo de Deus. Era constituído pelos filhos de Abraão, um homem honesto e muito amigo de Deus.

Deus tinha escolhido Abraão para fazer com ele uma aliança de amizade, dando-lhe a garantia de que ia fazer com os seus descendentes um povo escolhido através do qual ia fazer bem a toda a Humanidade (Gn 12, 3). Quando Deus apareceu a Moisés, os filhos de Abraão estavam a sofrer os tormentos humilhantes da escravidão no Egipto. As pessoas eram reduzidas à condição de animais mal alimentados e espancados para trabalhar mais.

Perante esta humilhação, Deus lembrou-se da promessa que tinha feito a Abraão: “Com os teus descendentes farei um grande povo. Abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem e tu serás uma fonte de bênçãos. Todas as famílias da terra serão abençoadas graças aos filhos que te vou dar (Gn 12, 2-3). Quando Deus disse isto a Abraão já estava a pensar em Jesus Cristo, o descendente de Abraão através do qual foram abençoadas as famílias da terra.

O Povo de Deus era constituído por pessoas de muita fé e por isso ficou conhecido como o Povo de Deus ou Povo Hebreu. Ao ver os sofrimentos do seu povo, Deus lembrou-se da aliança que tinha feito com Abraão. Foi por esta razão que Deus chamou Moisés, homem cheio de fé e da força do Espírito Santo para libertar o povo da escravidão do Egipto.

Moisés começou a preparar as pessoas, dizendo-lhes que Deus tem um plano de libertação para os filhos de Abraão que ele ama como seus filhos. Moisés queria fortalecer a fé das pessoas, pois ele sabia muito bem que a fé é uma força capaz de fazer grandes heróis. Eis as suas palavras: “Cobrai ânimo, pois esta noite o Deus do nosso pai Abraão vai chegar para nos libertar. Esta será a noite do grande castigo para os egípcios, pois eles têm oprimido de forma cruel os filhos de Abraão que são também filhos de Deus. Lembrai-vos, dizia Moisés, que o Senhor jurou ao nosso pai Abraão que viria sempre em nossa ajuda, a fim de nos libertar das mãos dos nossos inimigos. Na véspera Deus tinha aparecido a Moisés para lhe explicar a noite do dia seguinte ficaria a chamar-se a noite da Páscoa, isto é, a noite da passagem do Deus forte que toma partido pelos fracos e oprimidos. Depois, Moisés acrescentou: “Deus comunicou-me que não podia ouvir mais os gemidos do seu povo. Por isso escolheu esta noite para ser a noite da Páscoa, pois ia passar para libertar o seu povo querido.

Logo ao escurecer, acrescentou Moisés, ides fazer o seguinte: entrai nas vossas casas e preparai as coisas para partir. Os egípcios nem suspeitam o que está para lhes acontecer, pois o Senhor vai chegar como juiz castigador, pois ele não suporta o sofrimento das pessoas humilhadas e maltratadas pelos soberbos e orgulhosos”. Pouco antes de começar a marcha libertadora Deus disse a Moisés: “Nesta noite a peste vai entrar nas casas dos egípcios, matando os seus filhos primogénitos”.

Conhecedor destas coisas, Moisés começou a preparar os hebreus para a grande intervenção de Deus. Esta noite, dizia ele, o Senhor Deus vai passar pelas casas dos egípcios, a fim de os castigar pelo mal que têm feito ao nosso povo que é o filho querido de Deus. Depois Moisés acrescentou: “Esta Vai ser uma noite de dor e sofrimento para o povo do Faraó, e para o próprio rei que vai perder o seu filho primogénito, isto é, o herdeiro do trono. Cada família deve sacrificar um cordeiro, a fim de preparar uma ceia especial que ficará a chamar-se para sempre a ceia da Páscoa, pois fica como testemunho da passagem libertadora de Deus.

Com o sangue do cordeiro deveis pintar a porta das vossas casas, a fim de que o anjo da morte, quando vier castigar os egípcios reconheça as vossas casas e passe em frente. Juntamente com o cordeiro, as famílias israelitas devem comer ervas amargas e pão ázimo, isto é, sem fermento. As ervas amargas são para recordar aos vossos filhos o sofrimento amargo dos setenta anos da escravidão no Egipto. O pão ázimo significava a urgência de partir, pelo que não havia tempo para que a massa pudesse levedar.

Moisés tinha ordenado às famílias que comessem de pé, a fim de estarem preparados para partir em direcção à liberdade. Para encorajar os hebreus a empenhar-se na conquista da liberdade ele dizia às pessoas que os frutos da terra para a qual Deus os ia a conduzir tinham um sabor a requeijão e a mel, coisas que as pessoas apreciavam muito.

Ao entardecer, as pessoas começaram a preparar a refeição. Por volta da meia-noite, quando as famílias já tinham jantado, ouviu-se um grito cheio de angústia e desespero: Era uma mãe egípcia que acabava de perder o seu filho primogénito. Logo em seguida, ouve-se outro grito e outro e outro e outro e muitos outros. Em cada família egípcia, o anjo da peste deixava morto o filho primogénito. o ver o sinal do sangue nas portas dos hebreus, o anjo da morte passava à frente. Algum tempo depois ouve-se uma forte trombeta. Logo ouvem-se muitos bombos e flautas. Eram os músicos hebreus a avisar que chegara a hora de partir.

Chegou o momento de iniciar a grande viagem da libertação, gritou Moisés. Temos de ser fortes, pois a liberdade é uma conquista. Deus está connosco, mas não está em nosso lugar, isto é, não nos substitui. Preparai-vos, pois teremos de enfrentar provas muito difíceis como atravessar o Mar Vermelho e enfrentar o perigo dos escorpiões e serpentes que abundam no deserto. Teremos ainda de sofrer o tormento da sede, pois no deserto há pouca água. Temos de ser muito solidários, dando-nos as mãos nos momentos difíceis, a fim de ficarmos mais fortes. Lembremo-nos de que a tarefa da libertação só é possível se as pessoas forem amigas, leais e fraternas.

E a viagem começou. Foi difícil e longa, pois durou quarenta anos. O Povo nunca mais esqueceu este beijo libertador de Deus. Muitos anos mais tarde, Deus apareceu ao profeta Oseias e disse-lhe: “Vai dizer a todos que tenham confiança em mim, pois quando o povo era ainda eu salvei-o”. Depois Deus acrescentou: “Quando Israel era ainda menino, eu amei-o e chamei o meu filho do Egipto” (Os 11, 1).

Passados muitos séculos, Deus enviou o seu Filho à terra que tinha dado aos filhos de Abraão. O Filho de Deus veio como Messias, isto é, o Salvador Prometido, a fim de realizar uma Páscoa Nova e mais perfeita: em vez da morte dos inimigos, Cristo realizou a Páscoa do perdão, pedindo a Deus seu Pai que perdoasse aos seus inimigos. Jesus sabia que Deus toma partido pelos que passam a vida a fazer o bem. Por outras palavras, Jesus tinha a certeza de que Deus o ia ressuscitar e, com ele, salvar todos os seres humanos como Deus tinha prometido a Abraão (Gn 12, 3). A Nova Páscoa tornou-se a festa da libertação total, pois Cristo, ao ressuscitar, venceu a sua e a nossa morte. E foi assim que todas as famílias da terra foram abençoadas em Cristo o descendente de Abraão.


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias


Páscoa (III): Hino a Jesus Cristo Ressuscitado


Jesus Cristo Ressuscitado,
Tu Venceste a morte no próprio acto de morrer.
Tu és, na verdade, o Senhor da vida.

Edificaste sobre o alicerce do amor
e por isso a tua tenda não foi destruída pelos vendavais que a ameaçavam.
Como te deste de modo de modo total e sem reservas,
não podias terminar a tua existência no vazio da morte.

De ti nos vem o Espírito Santo que nos incorpora
na comunhão universal do Reino de Deus cujo coração és tu.
Apesar de seres homem connosco também pertences à esfera de Deus.
A tua interioridade humana interage
e está unida de modo orgânico à interioridade divina do Filho de Deus.
O vínculo que une e dinamiza esta interacção humano-divina é o Espírito Santo.

Jesus de Nazaré, a tua humanidade faz um com o Filho Eterno de Deus,
não por se fundirem ou misturarem, mas porque interagem de modo directo.
Tu és o Cristo de Deus.
A tua realidade assenta em dois pilares
que fazem uma unidade orgânica no Espírito Santo
semelhante à união orgânica que existe entre Deus Pai e o Filho Eterno de Deus,
os quais fazem uma união orgânica no Espírito Santo.
No evangelho de São João tu mesmo dizes isto quando afirmas:
“Eu e o Pai somos Um” (Jo 10, 30).

Jesus Cristo Ressuscitado,
Tu és o Senhor do Universo e a Cabeça da Nova Criação.
Com a tua ressurreição chegou o fim dos tempos,
isto é, o fim da gestação e o começo do parto
que deu origem ao nascimento do Homem Novo.

Foi esta maravilha de amor que levou São Paulo a fazer a seguinte afirmação:
“Se alguém está em Cristo é uma Nova Criação. Passou o que era velho.
Tudo isto nos vem por Deus que, em Jesus Cristo,
nos reconciliou consigo, não levando mais em conta os pecados dos homens.
Por seres homem connosco pertences à união orgânica humana universal.

Jesus Cristo Ressuscitado,
Por seres Deus com o Pai e o Espírito Santo,
pertences à organicidade divina da Santíssima Trindade.
És do lado de Deus e do lado Homem,
pois tens uma face humana e outra divina.
O Humano e o divino, em ti, interagem de modo definitivo.
Esta é a razão pela qual tu és o único medianeiro entre Deus e o Homem (1 Tm 2, 5).

Elegeste a Humanidade como alvo do teu amor, dando a vida por ela.
Por isso edificaste uma morada no coração de todos os seres humanos.
Viveste a nossa condição de homens em construção,
por isso sintonizas plenamente connosco.

Em ti, a dimensão divina não anula a humana,
pois Deus e o Homem não são concorrentes mas convergentes.
És a garantia de que o Divino, ao tocar o Humano, não o anula.
Pelo contrário, unindo-te ao humano tu o optimizas,
capacitando-o para dar frutos de Vida Eterna.
E assim nos asseguras que o humano será assumido no divino,
sem o mutilar ou empobrecer.

A seiva que vivifica esta união orgânica é o Espírito Santo,
o fruto da Árvore da Vida que nos dá a Vida Eterna.
Com o mistério da tua ressurreição tu nos comunicaste a Água Viva
que faz brotar em nós uma fonte de Vida eterna,
como afirmas no evangelho de São João (Jo 7, 37-39).

Jesus Cristo Ressuscitado,
Contigo e através de ti nós atingimos o limiar da divinização
ao sermos incorporados na Família Divina
como filhos em relação a Deus Pai e irmãos em relação ao Filho Deus.

Após o mistério da Encarnação,
os seres humanos foram enriquecidos
como os ramos de limoeiro frágil são enriquecidos pela seiva da laranjeira vigorosa,
depois de nela terem sido enxertados.

Jesus Cristo Ressuscitado,
Tu mereces a gratidão de todas as gerações,
pois tu abriste à Humanidade as portas do Paraíso fechadas por Adão,
como tu disseste ao Bom Ladrão (Lc 23, 43).
Em ti, o Humano e o Divino estão unidos para sempre.

Somos salvos na medida em que formamos um todo orgânico contigo.
No evangelho de São João tu dizes que a nossa união contigo
é semelhante à união que existe entre a cepa da videira e os ramos (Jo 15, 1-7).
A nossa vida será fecunda se estivermos unidos a ti
como os ramos da videira estão unidos à cepa (Jo 15, 4-5).

Com os teus ensinamentos e o teu jeito de viver
introduziste na marcha da História uma dinâmica de libertação,
à qual se opuseram os opressores do teu tempo.
No momento da tua morte, os teus inimigos cantaram vitória.
Não podiam imaginar que esse momento significava a vitória da vida sobre a morte.

Como homem foste em tudo igual a nós excepto no pecado.
Viveste ao lado dos outros homens sem os considerar inferiores
ou indignos da tua amizade.
A tua acção era a expressão da vontade de Deus,
revelando-nos deste modo o rosto e o coração bondoso do nosso Pai do Céu.

Na verdade, o amor com que nos amaste
foi a expressão da paixão de Deus pela Humanidade.
No momento da tua ressurreição inauguraste,
com os que te precederam na História, a festa da Comunhão Universal.

Unidos a todos os que estão unidos à tua glória de ressuscitado,
nós te dizemos: Glória a ti, Jesus Cristo Ressuscitado!  


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

(Páscoa II): Eis como Jesus venceu a Morte


Deus Santo,
Louvado sejais pelo facto de Jesus
ter vencido a morte no próprio acto de morrer.

Referindo-se à oração de Jesus no Jardim das Oliveiras,
a Carta aos Hebreus diz que ele fez orações
àquele que o podia libertar da morte
e foi atendido, devido à sua piedade (Heb 5, 7).

Para ser verdadeiramente uma vitória,
a morte de Jesus tinha de acontecer em simultâneo
com o próprio acto de morrer.
E foi de facto o que aconteceu,
pois Jesus não esteve um só momento sob o domínio da morte.

A vitória de Cristo sobre a morte aconteceu pela acção do Espírito Santo
em simultâneo com o próprio acto de morrer.
No evangelho de São João, o próprio Jesus se declara como Ressurreição e Vida:

“Jesus disse a Marta: Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido viverá” (Jo 11, 25).

É verdade que os Apóstolos
só fizeram a experiência da Ressurreição de Jesus
ao terceiro dia após a sua morte,
mas isto não significa
que ele só tivesse ressuscitado três dias depois da morte.

A Primeira Carta de São Pedro diz que,
no intervalo entre a sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa,
Jesus não estava sob o domínio da morte.
Pelo contrário, foi à morada dos mortos,
a fim de ressuscitar os que estavam sob o domínio da morte (1 Pd 3, 18-19).

Graças à união orgânica que nos liga com Jesus,
o Espírito Santo tem condições para unir a nossa ressurreição com a sua.
Jesus diz que esta união é idêntica à união que existe entre ele e seu Pai:
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e eu nele.
Assim como o Pai que me enviou vive e eu vivo pelo Pai,
também quem me come viverá por mim” (Jo 6, 56-57).

Eis a razão pela qual a vitória de Jesus sobre a morte é para ele e para nós.
A vitória de Jesus sobre a morte aconteceu no próprio acto de morrer.
Isto quer dizer que a ressurreição de Jesus
é um acontecimento que se dá em simultâneo com a sua morte.

À medida em que, no alto da cruz, Jesus ia morrendo,
a ressurreição ia acontecendo, pela acção recriadora do Espírito Santo.
Na verdade, como diz a Carta aos Hebreus,
Deus não permitiu que ele estivesse um só momento
 sob o domínio da morte (Heb 5, 7).

Podemos dizer com toda a verdade que
a ressurreição de Jesus é a sua vitória sobre a morte.
Por outras palavras, a ressurreição de Jesus
não foi um acto de dar vida a um morto,
mas antes o processo de glorificação do Senhor no próprio momento de morrer.

À medida em que ia morrendo em Jesus
aquilo que no Homem é mortal,
o imortal ia sendo glorificado pelo Espírito Santo
e assumido na comunhão da Santíssima Trindade.

A ressurreição de Jesus aconteceu em simultâneo com a sua morte,
de tal modo que ao acabar de morrer o que em Jesus era mortal,
o que nele era imortal estava totalmente ressuscitado.

Com efeito, a imortalidade e a ressurreição não coincidem.
É verdade que apenas ressuscita o que no homem é imortal.
Mas a ressurreição implica a glorificação e assunção do homem
na comunhão familiar da Santíssima Trindade.

As pessoas humanas que, porventura,
estejam em estado de inferno são imortais,
mas estão em estado de morte eterna e não na plenitude da vida.

Do mesmo modo, as pessoas que viveram e faleceram
antes da ressurreição de Cristo eram imortais,
mas só participaram na comunhão da Família Divina
no momento da ressurreição de Jesus Cristo.

Deus Santo,
Glória a Vós por serdes o Senhor da Vida.
Aleluia!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias

(Páscoa I): O Plano da Nova e Eterna Aliança


Deus Santo,
Louvado sejais pela Nova e Eterna Aliança, esse sonho de amor
que tivestes ainda antes de terdes criado o Universo e o Homem.
A Nova e Eterna Aliança já estava presente como fonte inspiradora
no momento em que sonhastes criar o Universo e o Homem que o habita:

“Deus escolheu-nos em Cristo antes da fundação do mundo,
a fim de sermos santos e irrepreensíveis na sua presença e vivermos no amor.
Predestinou-nos para sermos adoptados como seus filhos
por meio de Jesus Cristo, de acordo com a sua vontade” (Ef 1, 4-5).

Este plano esteve oculto durante milénios,
mas foi dado a conhecer na plenitude dos tempos:
“Agora podeis fazer uma ideia da compreensão que tenho do mistério de Cristo,
o qual não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, em gerações passadas,
como agora foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas pelo Espírito Santo” (Ef 3, 4-5).

Deus Santo,
Vós sois, na verdade, o Deus da Aliança,
pois sois um Deus fiel e verdadeiro.
A Nova e Eterna Aliança representa a plenitude de um projecto
querido por Vós ainda antes de terdes iniciado a génese da Criação.

A Antiga Aliança foi um passo fundamental para
conduzirdes a Humanidade até Jesus Cristo.
Mas o vosso plano criador tinha como meta e cúpula
da Criação a Nova e Eterna Aliança.

A Antiga Aliança era o sinal da acção pedagógica do Espírito Santo
que foi preparando a Humanidade para a plenitude dos tempos,
 introduzindo a Humanidade no único Reino de Deus, diz a Carta aos Efésios:

“Com efeito, Cristo é a nossa paz. De dois povos fez um só,
anulando o muro da separação que os dividia:
a Lei Mosaica com suas leis, normas e preceitos,
a fim de criar um só Homem Novo com judeus e pagãos.
Portanto, os pagãos já não são estrangeiros nem imigrantes,
mas concidadãos dos santos e membros da Família de Deus” (Ef 2, 14.19).

O Novo Testamento repete várias vezes
que a Antiga Aliança estava em função da Nova e Eterna Aliança:

“Antes de chegar a plenitude da Fé estávamos prisioneiros da Lei Mosaica.
Por isso era preciso que a Fé se revelasse.
A Lei tornou-se o nosso pedagogo até Cristo,
a fim de sermos justificados pela Fé.
Agra já sois filhos de Deus, por isso não estais sob o domínio do pedagogo (…).
Já não há judeu ou grego. Não há escravo ou homem livre.
Não há homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Ga 3, 23-29).

A antiga Aliança tinha como alicerce a Lei de Moisés,
a qual se multiplicava em normas, preceitos, ritos e mandamentos
que não tinham qualquer eficácia para a obtenção da salvação.
A Nova Aliança tem como alicerce o dom do Espírito,
o qual realiza em nós a obra da salvação, diz São Paulo na Carta aos Gálatas:
“Todos os que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14).

Viver a dinâmica da Nova Aliança significa
deixar-se conduzir pelo Espírito Santo:
“Eis os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão e auto-domínio.
Contra tais coisas não há lei” (Ga 5, 22).

A Antiga Aliança foi superada pela Nova e Eterna Aliança,
tal como as metas que estão em função de um objectivo
são superadas quando o objectivo é atingido.

De facto, a Nova Aliança não é uma simples continuidade em relação à Antiga,
tal como Cristo não está apenas numa linha de continuidade em relação a Moisés.
Pelo contrário, a Nova e Eterna Aliança representa
um salto de qualidade em relação à Antiga Aliança.

Com efeito, a libertação e a divinização do Homem, realizada pela Encarnação,
não está numa simples continuidade em relação à libertação dos hebreus
da escravidão do Egipto. Entre estes dois acontecimentos
existe, na verdade, uma diferença qualitativa.

A libertação realizada pela Nova e Eterna Aliança
tem o alcance de uma salvação definitiva, a qual implica
a assunção e incorporação da humanidade
na Família da Santíssima Trindade (Jo 1, 12-14).

Deus planeou a salvação da Humanidade,
diz a Carta aos Efésios, ainda antes da criação do Mundo (Ef 1, 4).
O Reino que havemos de herdar com Cristo foi preparado para nós,
diz o Evangelho de Mateus, desde a Criação do mundo (Mt 25, 34).

O plano salvador que Deus sonhou para nós, diz a Segunda Carta a Timóteo,
foi concebido desde os tempos primordiais (2 Tim 1, 8-9).
Mas este plano não foi conhecido dos antigos reis e profetas.
Apenas foi revelado aos crentes, com o acontecimento de Cristo,
diz o evangelho de São Lucas:

“Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo
e disse: “bendigo-te ó Pai, Senhor do Céu e da Terra,
porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes
e as revelastes aos pequeninos.
Sim, Pai, porque foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai,
nem quem é o Pai senão o filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Voltando-se depois para os discípulos disse-lhes:
“Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. De facto, digo-vos eu,
muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram,
ouvir o que ouvis e não o ouviram!” (Lc 10, 21-24).

A Carta aos hebreus diz que Deus, ao falar de uma Nova Aliança
declarou ultrapassada a Antiga.
Como o que se torna ultrapassado está prestes a desaparecer,
assim acontece com a Antiga Aliança (Heb 8, 13).

No livro do profeta Ezequiel Deus promete ao povo uma Nova aliança,
a qual será mais perfeita do que a Antiga:

“Lembrar-me-ei da Aliança que fiz contigo, no tempo da tua juventude
e estabelecerei contigo uma aliança Eterna (…)
Estabelecerei contigo a minha Aliança e então saberás
que eu sou o Senhor, a fim de que te lembres de mim” (Ez 16. 60-63).

Segundo o profeta Jeremias, a Nova aliança assenta em novos alicerces,
pois terá como fundamento um coração renovado pelo dom do Espírito Santo:

“Dias virão em que estabelecerei uma Nova Aliança
com a casa de Israel e a casa de Judá, oráculo do Senhor.
Não será como a Aliança que estabeleci com seus pais,
quando os tomei pela mão para os fazer sair da terá do Egipto,
aliança que eles não cumpriram, embora eu fosse o seu Deus, oráculo do Senhor.

Esta será a aliança que estabelecerei com a casa de Israel,
depois desses dias, oráculo do Senhor:
Imprimirei a minha Lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração.
Serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jer 31, 31-33).

A Nova Aliança, não é escrita em tábuas de pedra,
como a Antiga, mas será escrita no coração das pessoas.
São Paulo diz aos membros a comunidade de Corinto
que eles são uma carta de Cristo, escrita pelo Espírito Santo,
pois pertencem à Nova Aliança:

“A nossa carta sois vós, uma carta escrita nos nossos corações,
conhecida e lida por todos os homens.
Sois uma carta de Cristo confiada ao nosso ministério,
escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo.
Escrita, não em tábuas de pedra,
mas em tábuas de carne que são os vossos corações (…).

Na verdade, é Deus que nos torna aptos para sermos
ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito,
pois a letra mata, enquanto o Espírito dá vida” (2 Cor 3, 2-6).

Segundo o plano da Nova e Eterna Aliança,
nós recebemos, através da Ressurreição de Cristo,
o dom definitivo da Salvação:
o Espírito Santo que nos incorpora na Família de Deus (Rm 8, 14-17).

Deste modo, diz São Paulo,
Cristo torna-se o primogénito de muitos irmãos (Rm 8, 29).
Aleluia!


Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias